
Eu
fui romântica, mas à minha maneira. Nunca escrevi um bilhete de amor ou
planejei uma surpresa especial, mas exalava romantismo. No me canto, no lugar
das cartas, jaziam os poemas,os sentimentos que não lidar mas que corriam tanto
meu ser.Eu procurei meu príncipe, e muito, até
descobrir que ele não viria,e não era porque não me amava e sim porque
não existia.
No
fundo não é o que toda mulher faz? Se ilude...
Então
fiz de conta que o encontrei. Não era exatamente como eu imaginava em meus
devaneios, mas era, definitivamente, um príncipe.Pelo menos contei carneirinhos
até me convencer disto.
E
ele correspondeu ao meu encanto ou fingiu bem,acho. Sobrevieram dias de encantamento mútuo – eu
não conseguia tirar os olhos dele, ele não poderia passar muitos instantes sem
ouvir a minha voz dela. Um sorriso, um
toque, um gesto, uma confidência, um olhar.
A sequência se repetia, revolvendo a cada instante, ficando cada vez
mais forte e intensa, como uma grande sinfonia chegando ao seu instante
principal.
Mas,
sempre existe o mais...
De
repente tudo se quebrou. Um cálice de cristal estilhaçando no chão, uma agulha
de vitrola antiga arranhando por completo o disco, despedaçando a música e o
seu coração.
Eu
busquei o olhar dele e pela primeira vez os vi desviar de mim, surpreendeu-me
com a indiferença. Olhei para o coração dele e viu o que nunca deveria ter
visto,o vazio.
Irremediável indiferença. Inconciliável
abismo.
Então,eu
que era menina. Era princesa.
Passei
a ser mais uma que dorme na sarjeta,ganha trocados para o pão, sou levadas para
albergues, e bebo álcool para me esquentar quando não tenho para um litro de
cachaça.
O
vi depois disto, mas minha figura não o deixou reconhecer-me.Criei coragem e
pedi um moeda.
_O
senhor pode me dar um trocado?
_Para
que ?- ele questionou.-Para comer ou beber?
_Para
beber.- respondi.
Então
ele me deu e quando deia as costas ,ele completou:
_Sei
bem o que é isso.
_O
que?- repliquei.
_Beber
para esquecer uma saudade onde o pão não tapa o vazio do coração.
Eu
fui.
Ele
sentou-se à beira da estrada e chorou.
Jamais
saberei se foi por mim que bebia,mas
soube que ele sofria do mesmo que eu.E por isto, me senti feliz.
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