Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

A TEMPESTADE por Danka Maia



Eu venho vento,eu venho tudo!
Reviro o mundo, crio caso.
Eu te completo 
E  te desfaço,
Para isto?
Só careço de um mero segundo.

O teu telhado,
De vidro quebro,
De telha acabo,
De emoção vivo,
Eu sou o que ameaço.

E tu imploras,
E rogas a minha ida,
Mas de partida,
Jaz nos teus olhos,
Eu te invoco,
Porque te preciso,
Amada minha.

Te dizem sei,
Tu és um louco!
Sou Dona da tua voz,
Dos teus desejos submetidos ao meus pés.
És meu capacho?
Tu negas,
Relutas,
Empenhas,
Mas sabe que és.

No meu mar não há ondas,
Sou eu quem as faço,
No meu caminho não há raios,
Sou eu quem os traço,
A minha voz é rouca,
A tua fica louca,
Quando sente-se aos meus pés.

E o vento,
Este sucumbe,
Ah não te deslumbres,
Posso ser tua amiga,
E sei ser a tua perdição.
Sei virar tua cabeça,
E posso te levantar do chão.

Eu tenho idade?
Endereço?
Sou novidade?
Não.
Eu tenho nome e sobrenome:

SOU TUA TEMPESTADE!
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A Sombra da Luz por Danka Maia















Anita e Amália viviam numa ilha.


Sós não, tinham a vista.


Amália amava a vida.


Anita,a vida de Amália.


Amália apreciava cores e sabores,


Anita os dissabores dessa conquista.


Amália queria o céu,

Anita o véu, caso ela não conseguisse.
O tempo esvaia entre elas,
Como as altas da maré,
Ora revoltas, ora de bem-me-quer,
Amália via um mundo arfante em tudo,
Anita via o mesmo mundo, mudo.
Onde Amália via coqueiros, beleza e luz.
Anita queria seus olhos, sem tentar ver a própria força que a conduz.
Anita, Amália.
Amália vivia. Anita via.
Sem entender que há segredos
 Que só o tempo e a experiência
Instrui, exprime,mostra, ensina.
Que na sorte da vida cada um tem seu brio,
Sua seiva, sua história e sua lida,
O que a moça não alcançava, não compreendia,
Que jamais seria a outra,
Pois para ser Amália, não pode ser Anita.
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Felicidade Crônica



Você escreve e depois de um tempo (três anos) relendo aprende consigo mesmo. Coisas da magia de escrever. <3 span="">
Ela era a mulher mais feliz da casa, da rua, da cidade, do país e sim, também do mundo. Amália perdera os pais num acidente de carro aos sete anos, os avós aos quinze e ao vinte dois o único amor com quem se casara e tivera os gêmeos: Guillermo e Antunes. Ela era gorda, baixa, pele manchada e de cabelos muito crespos e desbotados. Tinha um busto imenso, pernas arqueadas, era professora, ganhava pouco, não dava para quase nada.
No trabalho, riam dela, pais, mestres e alunos. Parecia insulto, mas Amália ria de tudo sempre chupando uma bala.
A vida passou para ela como quem passa aos olhos de um presidiário, sol quadrado, feio, um descaso. Porém, o crime dela era ser feliz apesar de tantas perdas lastimáveis, irreparáveis e dores insuportáveis.
Ninguém nunca a visitava, nem mesmo os filhos depois de crescidos e que diziam amá-la.
Amar Amália, que mal há?
Ela jamais chorava, falava que a água das tais lágrimas foi levada com os móveis da última enxurrada que acabou com sua casa, mas não com seu lar. Não se importava, dava os ombros, ria e dizia:
— Há forças em meus braços? Então vamos lá!
E a vida foi passando.
E quanto mais a mesma vida lhe dava razões para ser infeliz por competência, Amália simplesmente sorria ignorando tudo e todos, andando só com a sua consciência.
Um dia depois da última tragédia, um dos filhos morrera com a mulher e os dois netos numa viagem, a vizinha decidiu ir visitá-la.
Estava visivelmente abatida, mas aquele sorriso, aquele teimoso riso estava lá.
— Como você consegue mulher? — perguntou a vizinha com a mão no queixo.
Amália sentou-se na cadeira de balanço começando a falar:
— Conta-se uma história que um dia uma senhora apaixonou-se por um homem, que na verdade era um encanto, ele a terra só vinha de dez em dez anos. Durante toda a vida da mulher, ela só o viu cinco vezes. Cinco vezes em cinquenta anos. Morreu e ao chegar às portas do céu, alguém a indagou: “— Foste feliz na Terra?”, ela abriu um riso lindo e profundo respondeu: "— Sim, eu fui feliz e fui fiel”.
A vizinha parou refletindo e depois de alguns minutos e um gole no café que acabara de fazer retrucou:
— Você é a tal mulher e o homem a felicidade?
Amália sorriu serena dizendo:
— Sim, de sorte ela sou eu. E sim a felicidade em minha vida pode ser este homem, mas no meu caso nem cinco vezes se quer a vi.
— Se morresse hoje, diria que foi feliz e fiel a esta felicidade?
— Sim. — respondeu firme.
— Por que Amália? — a vizinha interrogou. — Tudo que a vida te fez foi sofrer e a felicidade nunca te visitou!
— É verdade, eu sei. — confessou. — Mas esse é o segredo da felicidade, se você for fiel a ela, ainda que nunca a veja, mesmo que como um amante que te abandona e te ignora, a sua fidelidade de buscá-la, fará de ti uma pessoa alegre ou como eu a mulher mais feliz do mundo.
— Por quê?
— Porque nunca cri que depois de tantas perdas ainda poderia ser infeliz.



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Uma Rosa Azul : Jogos de Máscaras está na Amazon

Uma Rosa Azul : Jogos de Máscaras está na Amazon: Olá! Depois de muito tempo decidi dar uma repaginada em um dos meus livros. Tudo começou em dois mil e quatorze no 'boom' do Watt...
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Novo Romance

Olá!

Estou escrevendo o livro O Acordo no Wattpad.
Um enredo quase clichê...quase. Entre e leia: O Acordo


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SEM PALAVRAS por Danka Maia












Sem Palavras... Por Danka Maia💃💃💃

Então ciganada, será que eu ainda sei escrever? Comentários!

Na esquina de um lugar qualquer às três horas da madrugada ele chegava com a sua vestimenta nefasta. Calça de linho... Camisa social dobrada na altura punho... Meias e sapatos de fina estirpe... Preto era sua cor predileta, mas o vermelho predominava a cor da sua alma. Um homem de cenho fechado, charmoso em seu jeito taciturno e clássico. Era do tipo calado, cabeça baixa, poucos amigos, mas tudo isso se transformava quando surgia na ponta da outra esquina: Ela.
Então o seu alvor tornava-se sol.
O vestido rubro de decote provocante na altura dos seios e ao mesmo tempo comedido, dava-lhe a oportunidade de fazê-lo imaginar tudo sem saber como de fato era, e isto o deixava ainda mais enlouquecido!
A Dama, era como a chamava em sua mente. O quicar do salto fino contra a velha rua perdida de paralelepípedos contava ao homem que outra vez sua boca tão cheia de água sanaria sua sede.
Ela o abordava da mesma forma. Era mais que Dama, era a Dona dele. Vinha em passos delicados... Quadris envolventes.... Perfume um pouco adocicado... Cabelos presos num coque afrouxado... Olhos verdes que absorviam a alma dele. Duas gotas de esperança que iluminavam a alma lúgubre do velho homem.
O toque dela em sua pele causava insanidade. O percorrer de sua mão esquerda na altura do seu pescoço dava-lhe a segurança que apenas ali ele existia.
A provocação no roçar dos lábios oscilando em fortes e leves mordicares contava ao Universo que palavras pouco importam.
Sua mão apertava forte abaixo do ombro onde estava a tatuagem que fizera com a imagem dela.
Embolando-se naquele infinito breu seus corpos dançavam arranhando-se nas paredes rabiscadas do beco que se aquietava na tentativa de ouvir algo, mas entre o fogo e a loucura só havia múrmuros de respirações que ofegantes se fundiam numa só. Apertá-la pelo quadril deslizando sua mão com posse pelo meio de suas costas manifestava o seu domínio sobre ela dado ao arrepio de sua pele.
Um modo de soprar nos pensamentos dela:
_ Seu desejo acaba de se materializar... Minha Dama.
Jamais trocavam nenhum vocábulo.
Ele esperava aquele segundo exato de sentir a necessidade da língua dela chamando pela sua.

Enfim, mais uma vez, estavam vulcanizados.

A primeira vez que se viram, Cavalheiro estava naquele beco parado com o olhar perdido, enquanto uma batida gitana o fazia companhia sucedida de um infeliz sem-teto que do outro lado da cabeceira da ponte tocava ferrenhamente enquanto cacos queimavam a e se misturavam no fogo improvisado dentro de um latão de zinco, afinal a noite era fria e ali a solidão era companheira fiel e dura.
Cavalheiro remediava as batidas batendo contra coxa arqueada na parede onde semelhava esperar o que não possuía, não havia esperança e ele não era do tipo que cria que alguma coisa ainda pudesse surgir em sua vida mudando os seus conceitos ou virar sua cabeça, muito menos que isso dizimasse de uma mulher. Isso era o que ele julgava, mas uma coisa é o que se pensa, a outra é a que realmente acontece.
A privilegiada informação que tinham um do outro é que nada sabiam além daqueles momentos intensos que vivenciavam de modo furtivo, afoito e imortal. A paixão entre eles saltava naquele mundo de seus corpos e por isso se consumiam de modo abissal e ardente uma vez que desconheciam qual seriam os seus últimos instantes juntos.
A Dama veio com passos fortes que o seduziu desde aquele segundo, o provocou dedilhando os dedos entres os seios deixando claro que agora sua respiração ofegava por outra razão. Gostava de provocar... Faria tudo para que no próximo segundo tornar-se submissa ao seu senhor, esse era seu intento, era disto que gostava. Possuía aquele andar de uma mulher forte, sem medos ou delicadezas e ao mesmo tempo tão feminina. Jamais saberemos o que a fez passar naquela esquina. Naquela madrugada e em tal ocasião. Tudo que se sabe é que ela nasceu do lado oposto dele.
A partir do momento que se amoldavam e suas almas se amordaçavam o mundo poderia ser o próprio inferno, nada arderia mais do que a fleuma que os incineravam, era como se os fluidos corporais de um tomassem a alma do outro no oscular da pele.
Houve uma vez que o Cavalheiro tentou arguir uma única nota, mas a sua Dama pôs o dedo indicador em seu peito balançando a cabeça de leve em negação enquanto mordiscava o seu lábio inferior.
Quando em seus braços, Dona se permitia reprimir. Seu homem compreendia que fazia parte daquele jogo, arrastava-a com mão entre os cabelos ao mesmo tempo que como um menino mergulhava no cheiro de sua pele
Empurrando-a com o peso do seu corpo para um canto ainda mais sombrio do beco. O riso solto e cativante dela o deixava alcançar que mais uma vez decifrara o que a sua Dama queria sem ao menos um mero emitir de sílabas.
Transmissão de pensamento? Utopia ou síncope?
Destino! O carroceiro de Deus.
Dar ao seu homem seus desejos mais ocultos e ternos, era como confidenciar ao Divino por todos os seus pecados, inclusive aqueles que cometera em plena consciência. Aquele moço arrancava de sua alma o melhor e o pior dela.
Ao notar o quanto o seu corpo era voluptuoso por ela, segurava mais firme sua nuca começando a soltar a sua imaginação.
Tentava como um louco sugar a língua dela fazendo-a ser somente sua ao mesmo tempo em que suas mãos apertavam suas coxas.
O Divino ordenava que se tocassem.... Que se completassem, e se amassassem como num furor de uma tempestade!
Ele ditava as ordens com a pegada de seu corpo junto ao dela. Seus corpos obedeciam às oscilações de suas línguas.
Cavalheiro amava passear sem nenhuma pressa pelo corpo de sua amada. O tempo com ela definitivamente parava, contemplava o aroma que jamais soube decifrar com outra palavra que não fosse viciante.
A sensação de ver, sentir os pelos de seu corpo se eriçando quando revolvia as suas mãos ou segurava firme o queixo dela ao mesmo passo em que sua boca livre pairava descendo pelo seu colo até chegar aos seus seios denunciava a máxima da excitação para ele.
Sabia que Dama chegava ao ápice, a ansiava assim, perversa e ao mesmo tempo dominada como um pobre cordeiro indo ao seu holocausto por vontade própria. Raspando suas unhas em seu couro cabeludo e descendo pelo pescoço, tentava morder o lábio inferior dele, mas a mão firme no seu maxilar e os olhos dele eram talhantes, agora seu Cavalheiro determinava as leis e mais ensandecida ela concebia a volição do seu sexo.
Com movimentos selvagens puxava os cabelos dele, desvencilhando de sua mão com uma módica briga de tapas onde ele a travava sem força no ar pelo punho e com um riso de canto de boca permitia prosseguir, e agarrando-o a calça pelo cinto, pondo-se de joelhos, confessava que era a hora de rezar, todavia não pela absorção de pecados e sim para consumação do maior deles: A luxúria.
Descendo o zíper da vestimenta lentamente com os olhos nos dele. O ritual começara.
As posições simplesmente eram, contudo jamais repetitivas, sem ou com dor a certeza mesmo era: Sem pudores. Sem poupar as unhas, sem machucar, e no olhar deixavam escapar:
_Isso foi tão quente...
Reforçado com um texto vigoroso e calado:
_Você é tão bom, que eu pagaria por isso!
Mas ambos sem proferir em nenhum segundo uma letra se quer.
Ao se despedir o ar fez-se leveza, o sol soltava seus primeiros raios fulgentes, talvez por tê-los contemplado em oculto o deixou extasiado. O beijo era simples, mas único, o laço se desvencilhava no largar dos dedos esticados, uma vez que iam em posição opostas, e antes de que desaparecerem cada um em sua esquina da vida paravam, volviam um para outro no mesmo eixo de seus corpos, sorriam suspirando pela certeza: Se mais um dia amanhecera, é porque haveria outra noite, e isto se fazia o bastante para que os amantes soubessem que o Destino conspirava ao seu favor pelo menos mais uma vez.


Muito Obrigada pelo carinho da sua leitura😘
      
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Tudo Que Deveria Ter Falado...por Danka Maia




Ela deitou-se suspirando em sua cama quente e fria, olhou para o teto fechando um pouco os olhos e por um instante pensou:
— Como posso acreditar em algo que jamais existiu?
Alicia virou-se na posição fetal e começou a relembrar o primeiro dia que o tinha visto na saída da cafeteria ao lado da Faculdade. No dia seguinte ela estava lá olhando para o relógio apenas a espera dele.
Sorriu com a lembrança, apanhou seu velho diário debaixo do travesseiro e principiou a escrever aquela carta que talvez jamais chegasse ao seu destino final.
Oi! Como vai? Eu estou bem, mas você eu não sei. O motivo é que não sei mais muito sobre você, no entanto, ainda sei muito sobre mim. Parece que tudo passou, foi embora, acabou não é verdade? Não te vejo mais e a saudade, traduzida em um nó aqui no coração, na alma, me lembra de tudo, de tudo que  não te contei. Pensei que havia sido clara, agora acho que não. Simbologia não funciona muito quando precisamos falar do invisível. Metáforas até são boas para se falar do inconfundível, por isso acho que falhei! Falhei porque não disse tudo com nitidez, me perdi pelo medo do não correspondido e confessei sem declarar o amor que eu já não esperava que você percebesse. Como poderia? Você nunca nota nada além desse seu mundo pequeno, egoísta, medíocre... E que eu tanto amo!
 Presentes, poemas, músicas, não são suficientes, quando se precisa dizer na cara o que sentimos,a questão é às vezes a coragem é mais fácil de ser escrita do que incorporada.
 Hoje, confesso que pensei em você.
 Lembrei-me de tudo, de tudo o que eu pelo menos vivi, senti saudade e refleti em como seria a vida, a vida que a gente não viveu,que  jamais viveremos porque jamais existirá. Acho que você não notou ou se notou, não me tocou, talvez, não quis me magoar, apesar de ter me machucado da mesma maneira.
Nem a amizade ficou.
Tudo bem assumo que sobrevivo e bem sem sua presença, assim, mesmo que um pouquinho mais infeliz do que  era antes.A questão é que até a tristeza era mais feliz ao seu lado,só nunca te falei. Amores novos nos levam pedaços velhos que nunca mais acharemos. Isso é só uma parte, trechos de tudo que te ocultei.
 A vida é feita de escolhas e lamento, porém encaro e aceito que você não me escolheu. O que posso fazer? A dor é única, e a vida segue.

E hoje, em que meu coração sente sua falta e meus dias se acostumaram sem você, quero somente lhe desejar bom dia, ou melhor, uma boa vida!

 Sem mim, sem nós...




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AMOR DESESPERADO por Danka Maia










As vezes sinto raiva desse amor,
Há tanto tempo cravado no meu peito,
Sem despeito, sem pudor!
Como tal ternura,tamanha força e tanto fulgor.
Até já pensei, confesso, eu fiz este supor,
que de uma cândida maldição tal sentimento foi feito,
Me faz vencido, cativo, sujeito, Escravo,acorrentado, mas teu senhor.
Eu vivo contigo inversos,
Imersos,
De doçura ,de dor
Nunca quero embora,
Careço do teu amor.
Quero viver tal amor descabido,bandido,intenso.
Tempestade da minha  vida,
Luz dos meus pensamentos.
Eu te rogo, não te vá,
Não me deixe ainda que desejes,
Longe de mim podes ter tudo,
Mas esse mero coração vagabundo,
Sem a sua presença é mudo,
E com certeza, não baterá mais.




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VOCÊ NÃO É TODO MUNDO por Danka Maia


 Resultado de imagem para VOCÊ NÃO É TODO MUNDO

     Marina e Iago eram os típicos mãe e filho modernos. Ela vivia para o trabalho e para ele, dividiam agruras, alegrias, mas Marina era o tipo de mãe durona daquelas que não aceitava de modo algum que o filho pudesse ser como o outro meramente. Toda vez que o Iago fazia algo a resposta dela era sempre a mesma:
— Você não é todo mundo!
As notas chegavam, o garoto tentava se justificar:
— Mãe, todo mundo tirou nota ruim, não fui só eu!
Lá vinha Marina:
— Você não é todo mundo!
Dias se passavam e o Iago aprontava na rua com os demais moleques da mesma idade.
— Mas mãe...
— Você não é todo mundo!
Até que houve um dia que a nota do menino que era das melhores despencou e Marina o repreendeu:
— O que aconteceu filho? Todo mundo tirou nota boa, todos! O menino a olhou  e rebateu a altura:
— Mãe, eu não sou todo mundo.
Marina se calou e engoliu aquilo como um elefante atravessando a garganta. Passaram anos, Iago cresceu, entrou na faculdade, Marina viveu e então enfim ela errou. Porque para errar basta ser humano, não carece ser pai ou mãe. Envolveu-se num amor que não era amor, perdeu a casa, o emprego, e a única coisa que restou foi esclarecer ao filho a situação. Entretanto, o que doía na mãe era explicar ao filho que ela havia errado. A necessidade falou mais alto e ela simplesmente encheu o peito de coragem e sentada no sofá do apartamento do seu menino desabafou.
Iago a escutou com toda atenção, abraçou, beijou, e passando as mãos pelos seus cabelos  disse:
— Mãe, você é como todo mundo. Todo mundo erra, todos nós em algum instante da vida entra em colisão, cai,machuca. Tudo bem mãe, não há nada censurável em ser como todo mundo inda que continue sendo a melhor mãe do mundo.
Sabe leitor, devemos ter cuidado com o que ensinamos aos nossos filhos, na ânsia de esculpir o bem ou tentar acertar no alvo o mais próximo possível esquecemo-nos de ensiná-los um dos sentimentos mais belos e íntegros: A compaixão. Por que afinal de contas que tipo de ser humano educa se não o ensinamos a reconhecer que o outro pode errar inda que seja tentando acertar?
Ninguém é como ninguém e nem tem que ser.
Bora ser cada um!


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Você é do tipo esponja? Conheça histórias de mulheres que “sugam” a personalidade dos parceiros




Na busca de um grande amor, algumas de nós anulam a própria personalidade para se moldar à do parceiro. Mas será que essa estratégia dá certo?



Você já se pegou usando a camiseta de uma banda da qual nem gostava só para agradar a turma do namorado?  (Foto: Thomas Kremer)
Claudinha* foi uma das mulheres mais importantes que passaram pela minha vida, mas eu a perdi para um cara. Não, não havia nenhum envolvimento amoroso entre nós. Ela era minha melhor amiga, daquelas com quem se compartilha tudo da adolescência: a angústia de não saber o que fazer da vida, o saco cheio com as cobranças dos pais, as alegrias e as decepções trazidas pelas primeiras paixões.

Uns anos depois que nos formamos na faculdade, ela começou a namorar um colega do trabalho, o Ricardo*, com quem ficou por três anos. E foi então que a perdi. O Ricardo tinha um temperamento difícil, ou melhor, impossível. Arrogante, ciumento e mandão, seu esporte preferido era emitir opiniões completamente equivocadas sobre a “boa conduta feminina”.

“Mulher minha não se veste assim” e “mulher minha não frequenta esses lugares” eram algumas das  pérolas ditas pela criatura, que alguma máquina do tempo havia despachado direto dos anos 50 para nossas vidas. No entanto, a repulsa que o Ricardo me causava era inversamente proporcional à paixão que despertava em minha amiga.

Para agradá-lo, a Claudinha passou a se vestir com mais recato, deixou de ir às baladas que curtíamos e rompeu amizade com algumas meninas da nossa turma que ela passou a chamar de “rodadas”.

“Nossa cultura estimula as mulheres a se moldarem para não afrontar a vaidade masculina"
Fred Mattos, piscólogo
O Ricardo também era pão-duro – do tipo que conta cada centavo na divisão da conta do bar ou prefere demitir um funcionário a dar um aumento justo. Coisa que ela também passou a fazer: economizava em tudo e tirar pequenas vantagens financeiras passou a ser uma obsessão. Mas o pior para mim era ver a Claudinha repetindo as bobagens machistas que o namorado dizia.

Era doloroso ver uma pessoa tão querida se anular daquela forma. A gota d’água foi um comentário dela depois que terminei um namoro. “Amiga, para segurar um homem, temos que fazer grandes concessões”, disse-me, enquanto checava na conta do restaurante se haviam excluído os 10% do serviço, como ela havia pedido – sem fundamento algum para isso.


Por muitos anos, tive raiva da Claudinha, mas também entendi que aquele comportamento – em escalas maiores ou menores – é bem comum entre nós, mulheres. Quem nunca virou torcedora fanática de um time de futebol só para impressionar aquele gato e transformar o casinho em relacionamento sério? Quem nunca vestiu a camiseta preta de uma banda metaleira que nem curtia só para estar ao lado do namorado em um show?

Convictas de que uma história de amor “para sempre” é aquela na qual o casal “nasceu um para o outro”, algumas de nós absorvemos como esponjas os gostos, os hobbies, as ideias e o comportamento do homem que amamos. E, em casos mais graves, abrimos mão da própria identidade, como explica o psicólogo Fred Mattos, autor do livro "Relacionamento para Leigos" (Alta Books, 432 págs., R$ 70).

“Nossa cultura estimula as mulheres a se moldarem para não afrontar a vaidade masculina, que é sensível a contrariedades. Por temor de ficarem solteiras ou serem deixadas, as mais inseguras acabam distorcendo suas personalidades.”


“Mudei tanto que já não sabia direito quem era"
Monique*, engenheira carioca
Foi o que aconteceu com a engenheira carioca Monique*, 28 anos. Quando namorava o professor paulista Sérgio*, 45, ela deixou de se divertir nas festas de música eletrônica que costumava frequentar e até de praticar escalada, esporte que tinha em comum com sua turma da faculdade. Nos três anos de romance, a engenheira passou a ir – feliz da vida – a saraus de poesia e degustações de vinho, que eram mais a praia do namorado.

“Sérgio era mais velho e fazia parte de uma galera muito culta. Fiz de tudo para ser a mulher que ele sonhava”, admite. A transformação pela qual Monique se obrigou a passar incluiu até o visual – ela trocou os tops e jeans a que estava habituada por modelos de alfaiataria conservadores.

“Eu também repetia as opiniões dele mesmo quando discordava”, recorda. Quando o namoro terminou, a engenheira ficou sem chão. “Havia mudado tanta coisa em mim que já não sabia direito quem era.”

Baixa autoestima e personalidade fraca nem sempre são as causas desse comportamento camaleônico. Segundo a psicanalista Malvine Zalcberg, autora do livro "Amor Paixão Feminina" (Campus, 199 págs., R$ 54), algumas das mulheres esponja são até poderosas, bem-sucedidas em suas carreiras e têm um estilo marcante. Mas falta a elas autoconfiança no campo amoroso.


“Algumas 'vestem' a pele do parceiro a cada nova relação. É como se mudasse a letra, mas não a música"
Malvine Zalcberg, psicanalista
Ao incorporar os valores do homem que ama, a esponja se sente duplamente reconhecida: pelo parceiro e pelo meio em que ele vive e é valorizado”, diz a psicanalista. “Elas são muito frágeis e sofrem demais quando a relação termina porque não perderam apenas um namorado ou um marido. Perderam também uma estrutura de vida em torno daquele homem.” 
É exatamente essa sensação que Monique descreve ao falar do fim do namoro com Sérgio. “Sentia-me perdida e não conseguia nem escolher um prato no restaurante sozinha”, recorda. Desde o rompimento, há dois anos, Monique teve alguns casinhos, mas nenhum romance para valer. A maior preocupação da engenheira é não repetir a conduta que teve na relação passada. “Na terapia, me dei conta do quanto ter me tornado uma ‘esponja’ me fez mal.”
RESGATE-SE, CAMALEOA
 
Nem toda “mulher esponja” consegue abandonar o padrão camaleônico de comportamento após a primeira decepção amorosa. Algumas “vestem” a pele do parceiro a cada nova relação. “É como se mudasse a letra, mas não a música. Enquanto não curam certas necessidades emocionais, como carência e falta de autoestima, as ‘esponjas’ continuam repetindo a estratégia de se moldar à personalidade do homem por quem se apaixonam”, diz Malvine.

O publicitário paulistano Denis*, 35, estranhou uma das frases que ouviu de sua ex-sogra quando o namoro de dois anos com a também publicitária Marisa*, 34, chegou ao fim. “Ela me ligou para lamentar que eu já era da família e terminou a conversa assim: ‘Uma pena, porque minha filha custou tanto para achar um rapaz que fosse uma boa influência para ela...’"

Então lembrei que, de fato, a Marisa sempre ia na onda dos namorados”, conta o publicitário referindo-se à ex. “Nós fomos só amigos por mais de dez anos antes de nos apaixonarmos e eu acompanhei inúmeras dessas mudanças dela, sempre que começava a se interessar por alguém.”

Denis conta que Marisa teve a fase “nerd”, quando namorou um estudante de Física, e a “roqueira”, ao se envolver com o baterista de uma banda indie. “Ela também havia tido um casinho com um cara que gostava de rachas de carro. Lembro que nessa época só falava em motor ‘tunado’, qual fazia a maior velocidade em um tempo mais curto e virou perita no assunto”, recorda. “Morria de medo que ela se acidentasse numa dessas corridas.”


“Ela repetia até minhas opiniões. Perdi o tesão"
Denis*, 35, publicitário paulistano
Segundo o publicitário, apesar da conduta “camaleoa no amor”, Marisa tinha opiniões fortes e uma personalidade leve e divertida. “Foi isso que me fez amá-la. Mas, com o tempo, ela virou uma mulher submissa, que só me seguia. Até a página do Facebook dela parecia uma cópia da minha. Nas últimas eleições para presidente, chegou a declarar voto no Aécio Neves, que era o meu candidato – sendo que a vida inteira a Marisa se disse petista!”, afirma. “Isso me tirou o tesão.”

No entanto, diferentemente de Denis, alguns homens se deixam envolver pelos 50 tons de nude das mulheres esponja por longos períodos. São os chamados “parceiros-sintoma”, como explica Malvine. “São aqueles que gostam de ter a parceira apagada, admirando-o e orbitando à sua volta em tempo integral. É uma relação onde um preenche o buraco emocional do outro, até a hora que os dois se sintam sufocados”, diz a psicanalista.


“O amor entre a ‘esponja’ e o ‘sintoma’ pode até acabar, mas terminar a relação é mais difícil para eles, pois criam juntos uma dinâmica de dependência psicológica nada saudável.”

O psicólogo Fred Mattos afirma que a estratégia furta-cor das “mulheres esponja” em busca da felicidade no amor é uma péssima jogada. É importante que os casais tenham características e objetivos em comum – mas as diferenças ajudam a fortalecer o romance.

“São elas que criam contrastes interessantes, pontos de vista diversos, maneiras diversificadas de solucionar problemas. Preservar aspectos da personalidade é essencial para que a pessoa consiga ter fôlego no relacionamento”, explica.

“É muito mais simples se anular e deixar todas as decisões importantes para o parceiro. Mas o tempo acaba revelando o efeito colateral de uma personalidade enjaulada.” Porque ceder em alguns pontos faz parte de toda relação, mas anular-se jamais!


Fonte: Marie Claire
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