Quem sou eu?

Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar. Ama sua família, amigos e animais. “Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.

Traída, cinquentona transou com 32 homens e publicou livro

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Divulgação / Gabriel Cabral)
Encontrei Isabel Dias no café de um shopping paulistano. Uma mulher elegante, discreta, educadíssima, entre os cinquenta e sessenta anos (não adianta perguntar: ela não revela a idade). Dei um gole demorado no suco enquanto imaginava por onde começaria esta entrevista.
Pelas infidelidades do ex-marido que culminaram no divórcio após 32 anos de casamento? Ou pelas histórias de cada um dos 32 homens com quem transou motivada por um desejo de vingança? Pela coragem de lançar publicamente essas aventuras sexuais, sem deixar de fora nem mesmo sua estreia no swing? Ou, ainda, pela redescoberta de seu valor e da própria sexualidade?
Com sua voz serena e a maior naturalidade do mundo, Isabel me falou de vibrador, preconceito, monogamia, orgasmo, liberdade, fetiche, exposição. Na mesa ao lado, um de seus três filhos aguardava o fim da nossa conversa. Veio dele a ideia e o incentivo de transformar a jornada erótica da mãe no livro “32 – um homem para cada ano que passei com você”, espécie de diário em que relata todos os encontros.
NATHALIA - Como você reagiu ao descobrir as infidelidades do seu ex-marido?
ISABEL - Recebi uma ligação anônima dizendo que meu marido tinha uma namorada. Questionei e ele admitiu que havia sido um “affair”, mas eu era a “mulher de sua vida”. Mesmo assim fiquei muito insegura, não acreditava mais nele - dormia com um olho aberto e outro fechado. Passei cinco anos sem coragem de procurar mais a fundo porque teria que abrir mão da nossa vida estável e dos planos para o futuro. Quando resolvi descobrir tudo, assumi de uma vez para mim e para a família.
NATHALIA - Não pensou em dar o troco enquanto estava casada?
ISABEL - Não era de bom tom. Eu era uma senhora… O mais importante pra mim era manter o meu projeto de vida ao lado dele até o final. Antes de nós nos perdermos, tivemos muitos momentos felizes. Ele era um bom pai também.
NATHALIA - Até então, ele havia sido seu único “homem”. A vida sexual no casamento te satisfazia?
ISABEL - Naquela época, eu achava que aquilo era ótimo e me bastava porque não tinha referências. Nunca imaginei buscar outras coisas no sexo. De repente, depois do divórcio, descobri que o mundo tem um monte de possibilidades.
NATHALIA - Em que estado emocional você estava assim que se separou?
ISABEL - Eu me sentia uma “merdinha”. Achei que tivesse acabado como mulher, que a culpa era minha porque não o satisfazia e ele precisou buscar mais quatro fora. Minha autoestima ficou lá embaixo e eu acreditava que jamais conseguiria me reerguer… Me mudei para São Paulo, procurei uma terapeuta e voltei a trabalhar.
NATHALIA -  O que esperava ao criar um perfil num site de relacionamentos sob o pseudônimo de Estela Andrade?
ISABEL - Viver fortes emoções, mostrar a mim mesma que eu podia e não era aquela “merdinha”. O direito do recomeçar e da sexualidade é de todo mundo. Não preciso me esconder dentro de casa porque sou mulher e tenho quase 60 anos. Comecei a receber diversas mensagens de homens interessados. Mas tinha medo do perigo real de encontrar e ir para a cama com um cara desconhecido. De me assaltarem, me sequestrarem. Também não queria encontrar uma pessoa carente demais para me sufocar. Nem me apaixonar.
NATHALIA - A vingança foi o que te motivou no projeto de sair com 32 homens. Isso mudou com o tempo?
ISABEL - Sim. Era uma raiva muito grande. Depois fui me descobrindo, como se subisse degraus de uma escada ao longo das experiências que vivi. A mulher que acabou esse projeto não é a mesma que começou. Aquela que saiu com o primeiro homem tinha a insegurança de vestir dez roupas, se preocupava se ele ia gostar dela, estava cheia de preconceitos em relação ao sexo.
NATHALIA - Numa das passagens do livro, um homem pede que você se admire diante do espelho. Por que foi tão difícil?
ISABEL - As imperfeições do tempo. Olhar para o corpo e não é mais aquilo que foi um dia. A minha maior vergonha de sair com um cara era tirar a roupa. Ficava imaginando que, na hora de tirar o sutiã, o peito iria cair. Que ele enxergaria as minhas celulites. Mas, enquanto eles me diziam que eu era linda, fui aprendendo a me olhar com mais generosidade – meu espelho interior estava muito deturpado. E isso foi incrível para mim: vi que podia botar decote, roupa justa e me achar uma delícia na meia idade.
NATHALIA - Você saiu com muitos homens casados. Pensou nas mulheres traídas, como você foi um dia?
ISABEL - Aprendi a ser mais racional e egoísta, sim. Pensava: “Eu não tenho nada com isso, não quero saber se é casado, se está feliz ou não, nem qual o telefone da casa dele”. Não cabia a mim discutir a relação dele com outra pessoa. Às vezes o corpo manda mais que o coração. Eu queria um bom momento e só. Pegava emprestado um pouco, deixava claro que não me interessava namorar e casar. Não faria nada para expor e prejudicar alguém num relacionamento.
NATHALIA - Um dos seus encontros foi com um vibrador, dentro do carro, parada no trânsito. Era também uma novidade pra você?
ISABEL - Sim! Ele é meu companheiro. Descobri que não preciso de um homem para ter prazer – embora seja melhor com um. Você tem que se conhecer, saber do que (e como) você gosta. Até pra dizer pro parceiro. E esse é um processo solitário. Na minha época, a mulher não podia se tocar, ouvia o tempo todo “tira a mão daí”. Ela era conduzida no sexo, não conduzia. Experimentei brinquedos eróticos depois de me separar: no casamento o sexo era uma coisa pra cumprir tabela. Não tinha incentivo, conhecimento, autoconfiança. Eu não investia em fantasia sexual, lingerie etc. Hoje visto uma calcinha fio dental, aquela que tem zíper na frente…
NATHALIA - Aliás, você realizou fetiches como transar em lugares “perigosos” como um escritório lotado de gente, sexo de olhos vendados, ménage a trois, swing…
ISABEL - Ah, foi maravilhoso! Só a preparação para uma aventura sexual já é deliciosa – às vezes mais do que realizá-la. Essa coisa de botar um vestido sem calcinha e ir andando até o escritório do cara, saber que os funcionários estavam todos do lado de fora da sala, que a porta não estava trancada, que precisaríamos abafar os gemidos… Transar com uma mulher e, depois, com várias pessoas num swing também foi superar preconceitos. Sempre gostei de literatura erótica e, quando desconhecia um fetiche, ia pesquisar. Ainda tenho alguns pra fazer.
NATHALIA - Que situações te surpreenderam ou te broxaram?
ISABEL - Fiquei em choque quando um cara finalizou numa “espanhola” (ejacular entre os seios). Nem sabia que existia isso. Acho que deve ser coisa de jovens com medo de engravidar alguém. Mas eu broxava com dois tipos de situações. Com o homem egoísta, aquele que não se preocupava com o meu prazer. Não existe isso de “gozou, vira para o lado”. Primeiro eu, meu bem, depois você. Se segura, malandro (risos). Também não curto o jogo de submissão e dor. Um dos homens me disse: “Você tem que fazer isso porque eu quero”. Não, foda-se você. Nunca fiz nada que eu não quisesse.
NATHALIA - Você fingiu orgasmos?
ISABEL - Não, acho que não. Ao mesmo tempo que o orgasmo é a cereja do bolo, o prazer durante o sexo compensa. Às vezes, a situação era tão excitante que eu me segurava para aproveitar mais.
NATHALIA - Teve a impressão de que os encontros eram superficiais? Necessidade de um vínculo maior?
ISABEL - Não estava preparada para ter um vínculo mais íntimo. Dar o corpo é diferente de dar a alma para alguém. Não queria mergulhar naquela rotina desgastante, na posse etc. Eu fiz boas amizades com alguns deles e isso bastava. A superficialidade depende: no segundo ou terceiro encontro você pode realmente trocar com o outro e estar mais presente do que com alguém com quem você dorme toda noite ao lado e não tem mais nenhuma ligação, não sabe o que ele fez durante o dia, o que está pensando etc.
NATHALIA - Como surgiu a ideia do livro?
ISABEL - Minha psicóloga sugeriu que eu botasse no papel as histórias para que, quando me sentisse deprimida, lembrasse das boas experiências e da superação. Mandei capítulos para um dos meus filhos, ele me apoiou e disse que eu tinha um livro nas mãos.
NATHALIA - Por que publicar com o seu nome verdadeiro? Não teve receio da exposição?
ISABEL - Se eu não mostro a cara e invento um nome, vira um romance, uma ficção que qualquer um poderia escrever. Tive muito medo. A primeira coisa que fiz foi ouvir os meus três filhos. Eles ficaram bastante assustados, mas em nenhum momento disseram “não faça”. Só comuniquei o resto da família - eu não poderia sair de uma tutela de 32 anos de casamento e passar para uma tutela familiar. A minha geração, dos 1960, é praticamente um rascunho da independência e da liberdade feminina. Se me escondesse, faria o contrário do que preguei na juventude. Por que eu não poderia falar, se sou independente e livre? A vida é muito curta pra ligar pros julgamentos morais.
NATHALIA - Você percebe a bandeira feminista que está levantando?
ISABEL - Não é questão de levantar bandeira nenhuma. Só quero ser feliz. Eu posso, você pode, todo mundo pode. Meu corpo, minhas regras.
NATHALIA - O assédio aumentou depois do lançamento do livro?
ISABEL - De vez em quando recebo mensagens no Facebook do tipo “sou fulano, tenho tantos anos, meu telefone é tal”. Como se eu estivesse sentada esperando um homem pra vida… Não conseguem entender que a escolha é minha.
NATHALIA - O seu ex-marido leu?
ISABEL - Não sei, não tenho contato com ele. Foi bom enquanto durou, hoje não sinto mais nada. Nem raiva. Quando meu divorcei, achei que minha vida tivesse acabado. Acabou, sim, mas só aquele ciclo. Hoje é outra vida.
*Nathalia Ziemkiewicz é jornalista, educadora sexual e idealizadora do blog Pimentaria. Quer apimentar o mundo com informação e bom-humor.  
Fonte:yahoo
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Projeto 'Adote um Avô' traz alegria para idosos sem família

<p>Reprodução/Facebook </p>


Ao visitar seu avô em um lar de idosos, o espanhol Alberto Cabanes se comoveu ao conhecer Bernardo, um senhor que também reside no local. Sem filhos, Bernardo expressou sua vontade em ter netos para que pudesse receber visitas no Natal.
<p>Reprodução/Facebook </p>
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A história motivou Alberto a criar o Adote um Avô, com o objetivo de tornar mais feliz a rotina dos idosos que não recebem visitas de familiares. Desde que surgiu, o projeto já garantiu a adoção de mais de 1.000 vovôs e vovós e hoje conta com 204 voluntários.
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Reprodução/Facebook
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A ideia teve início em Madrid, mas o sucesso fez com que outras cidades da Espanha também abraçassem a causa. "Tive a sorte de ser criado pelos meus avós e de aprender com eles valores impagáveis. Ninguém merece estar só. E nos lares há muita solidão", disse Alberto ao El Mundo. Para ele, o melhor é poder aprender com as pessoas mais experientes toda a sabedoria e histórias de vida. Confira as fotos de alguns dos vovôs adotados na galeria.


Fonte: Yahoo
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Abusada pelo pai, menina de 11 anos citava Virgem Maria para justificar gravidez

<p>Foto: Divulgação Polícia de Piracicaba </p>

Uma menina de 11 anos deu à luz a um bebê e a suspeita é de que a criança seja fruto de um abuso sexual cometido pelo próprio pai da garota. O caso aconteceu em Piracicaba, no interior de São Paulo. A criança recém-nascida foi abandonada dentro de uma mala.
Segundo a Polícia Civil, o pai – nega os abusos – já foi preso por assalto em 2007 e saiu da cadeia em 2010. A menina foi localizada na tarde desta quinta-feira (5). Um convite para um chá de bebê achado junto com a criança foi a pista que levou os investigadores até a mãe.O menino estava enrolado em uma toalha, em uma caixa de papelão dentro de uma bolsa de mão, de acordo com os policiais militares.
<p>Foto: Divulgação Polícia de Piracicaba </p>


A mãe da menina afirmou aos policiais civis que não sabia que o marido abusava da filha. Ela foi liberada, mas poderá responder por abandono de incapaz. Já o homem, que tem 36 anos, ficou detido na delegacia.

<p>Foto: Divulgação Polícia de Piracicaba </p>
De acordo com o investigador Jeferson Antônio Dias ao G1 , a mãe da criança de 11 anos disse que a menina ficava muita quieta durante a gestação. “Ela contou que, por diversas vezes, perguntou quem era o pai, mas a garota dizia que isso pode acontecer e mencionava a Virgem Mária, que teve um filho sem ter relação sexual”, afirmou o policial.
 Fonte: Yahoo
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Mulheres do século 19 desmaiavam com frequência; entenda os motivos



 


O clichê de chamar mulheres de sexo frágil não é algo recente. Ele data de muitos séculos, quando as pessoas realmente acreditavam que as mulheres eram como flores delicadas que precisavam ser protegidas e cuidadas por um homem.
Claro que isso não é real e as mulheres se provaram cada vez mais fortes, independentes e tão competentes quanto os indivíduos do outro gênero. Porém, você sabe como surgiu este estereótipo?
Ele tem muito a ver com as mulheres da era vitoriana, que, apesar de serem supostamente saudáveis, desmaiavam constantemente sem nenhum motivo aparente. Diversos fatores influenciavam esse acontecimento; entenda alguns deles.

Só dói quando eu respiro

Uma das teorias recorrentes aponta que o motivo de as mulheres do século 19 perderem a consciência com tanta frequência tinha a ver com os padrões de beleza da época. A moda vigente exigia cinturas finíssimas que só eram possíveis de se conseguir com o uso de espartilhos muito apertados que comprimiam os pulmões e realocavam outros órgãos.

Os acessórios feitos de tecido ou couro eram estruturados com peças rígidas feitas de ossos de baleia, marfim ou madeira e eram tão justos e duros que era difícil respirar normalmente. Considerando isso, não é difícil de imaginar que qualquer esforço físico ou emoção forte que causasse uma alteração na respiração fosse também responsável por uma síncope.

Armadura completa

Entretanto, os espartilhos não eram os únicos vilões em termos de vestimentas que prejudicavam a movimentação ou respiração. O fato de as moças serem obrigadas a usar vestidos com muitas camadas, mesmo durante o verão, também não ajudava em nada.



Os trajes da época, apesar de fabulosos de se ver em filmes, eram quentes e extremamente pesados. Pesquisadores que estudaram as peças acreditam que apenas ter que carregar tanto peso de um lado para o outro já era bastante exaustivo e uma causa provável para os desmaios.

Além disso, as vestimentas não eram nada práticas para vestir ou tirar e acidentes pequenos tinham consequências trágicas. Em 1861, Frances Appleton, esposa do poeta Henry Wadsworth Longfellow, morreu após a uma vela cair em sua longa saia. O fogo rapidamente se alastrou pelo tecido e, mesmo depois de conter as chamas, não foi fácil de remover o que sobrou da roupa.

Vítimas da moda, quase literalmente

Outro problema com a moda da época era a composição química de alguns itens de decoração, de vestuário e mesmo de artigos de beleza do século 19.

Embora as pessoas já soubessem que o arsênico era um veneno, não se imaginava que simplesmente inalar o vapor também teria um efeito prejudicial. Por conta disso, ele era comumente utilizado em vários itens do dia a dia, como tintas, tecidos e papéis de parede.
No século 19, cerca de 80% dos papéis de parede levavam arsênico na composição. E a exposição prolongada a produtos com a substância pode causar um envenenamento com sintomas que incluem dor de cabeça, suores e desmaios.

Uma caveira em uma garrafa

Porém, o arsênico não era o único vilão em termos de componentes prejudiciais. Alguns itens de beleza, como maquiagens e tinturas para cabelo continham, mercúrio e outras substâncias tóxicas, como o chumbo.

Por conta de esses produtos serem mais comuns nas camadas mais abastadas da população, as moças mais ricas costumavam sofrer mais com os males da intoxicação causada por elementos químicos nocivos.
E agora que você sabe que toda a fragilidade das mulheres vitorianas era causada muitas vezes por envenenamentos ou padrões de beleza impossíveis de se atingir, que tal abandonar de vez o conceito de sexo frágil?

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Rebelião em presídio de Roraima deixa ao menos 30 mortos

Foto: Reprodução


Ao menos 33 detentos morreram durante a madrugada na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (RR), segundo a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) de Roraima. Está é a segunda rebelião do ano no Brasil, que já somou 56 mortos em Manaus.
Em Manaus, duas facções criminosas entraram em guerra e muitos presos chegaram a ser decapitadas. Ainda não há informação sobre o motivo desta nova rebelião.
Leia a nota do governo estadual obtida pelo portal G1:
A Secretaria de Justiça e Cidadania informa que nesta madrugada (dia 6) foram registradas 33 mortes na Pamc (Penitenciária Agrícola de Monte Cristo).
Esclarece que a situação está sob controle e que o Bope (Batalhão de Operações Especiais) da PMRR (Polícia Militar) está nas alas do referido presídio.
Fonte: Yahoo
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Foto de mais um bebê refugiado morto causa comoção internacional

Foto: Reprodução Facebook



A foto de um bebê morto nas margens de um rio em Mianmar está provocando uma grande comoção internacional. A criança chamada Mohammed Shohayet, de 16 meses, aparece caída na lama, nas margens do rio Naf, na fronteira entre Mianmar e Bangladesh.
O menino  morreu após um naufrágio de uma embarcação na qual viajavam ainda seus pais, um irmão de três anos e um tio. Além do bebê, sua mãe, seu irmão e um tio morreram. Apenas seu pai, Zafor Alam, sobreviveu.
A família, de etnia Rohingya, tentava fugir para Bangladesh por conta perseguição étnica em Mianmar. Essa etnia muçulmana é uma das minorias mais perseguidas do mundo, e o governo birmanês considera os rohingyas como imigrantes ilegais.
Desde outubro, 50 mil muçulmanos rohingyas fugiram de Mianmar escapando de uma operação do exército birmanês lançada em resposta ao ataque de postos fronteiriços desta região por grupos de homens armados.

Fonte: Yahoo




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'Aparição' de fantasma em foto apavora grupo em hospital

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O que não falta no mundo são lugares ditos mal assombrados. Na Inglaterra, mais especificamente em Liverpool, existe o hospital Newsham Park. Por lá rolam diversas lendas envolvendo sustos e fantasmas.
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Sabendo disso, um grupo de exploradores locais resolveu entrar no local para checar as histórias. Eram 30 pessoas que ficaram de cabelo em pé logo ao chegarem, no momento que resolveram registrar a aventura.
Na imagem é possível ver que alguém que não foi convidado para a foto "está" ali. Trata-se de um vulto que lembra bastante o rosto de uma mulher e, claro, a imagem girou a internet causando dúvidas: é real ou não?
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Fonte: Yahoo
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Cavalo chora no enterro de seu dono e comove o Brasil


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Funcionário da prefeitura de Cajazeiras, na Paraíba, o vaqueiro Wagner Lima costumava participar de vaquejadas com o cavalo Sereno, que ele conhecia há oito anos. Juntos, eles disputaram dezenas de torneios e ganharam prêmios em dinheiro na competição na qual o vaqueiro deve derrubar um boi puxando-o pelo rabo.
ASSISTA O VÍDEO!

No domingo, voltando de uma festa de Réveillon, Wagner caiu da moto que dirigia e morreu. Dois dias depois, seu irmão levou sereno ao enterro do vaqueiro, e o comportamento do cavalo emocionou seus amigos e parentes.
"Foi uma coisa inacreditável, eu tive que estar lá para crer", relata o amigo Francielio Limeira, que discursou segurando nos ombros o caixão de Wagner. "Na saída do caixão do velório, o cavalo meio que chorava, meio que reconhecendo a falta dele. Ele batia a pata no chão, relinchava, foi muito triste."
A ideia de levar Sereno ao enterro foi do irmão de Wagner, que também é vaqueiro. Ele conta que o cavalo viu o rosto do dono por uma fresta no caixão e ficou muito tempo cheirando-o. Num dos momentos mais emocionantes para quem estava lá, Sereno encostou a cabeça no caixão de Wagner e relinchou.
Os dois tinham uma relação muito próxima, segundo aqueles que os conheceram. Em uma postagem de novembro do ano passado no Facebook, Wagner publicou uma foto de Sereno com a legenda: "Meu cavalo, meu amigo".
Reprodução
"A vida dele era esse cavalo", conta o irmão Wando Lima. "Era uma paixão, um zelo que ele tinha por ele. Às vezes, deixava de comprar roupa pra comprar ração pro cavalo. Dizia que não o venderia por dinheiro nenhum. Chegava gente querendo comprar, mas ele não vendia. O cavalo foi fazer sua despedida, ele estava sabendo, ficava cheirando, relinchando, só faltava falar. Foi inexplicável, eu nunca tinha visto."
Wagner era chamado na região de "Doutor" porque, apesar de não ter uma formação na área, gostava de cuidar de animais maltratados. "Um dia, ele parou o trabalho para cuidar de um gatinho que estava com a pata quebrada", conta o amigo Francielio.
Kyioshi Abreu/Diário do Sertão
Tradição secular no Nordeste, a vaquejada é uma prática controversa. Defensores dos animais dizem que ela causa maus-tratos aos bois derrubados. Um projeto de lei tramita no Congresso para regulamentar a prática, transformando-a oficialmente em esporte. No ano passado, o STF vetou uma lei cearense com o mesmo objetivo e colocou na berlinda outras práticas desportivas envolvendo animais, como rodeios.

Wagner costumava dizer que a vaquejada não causava danos à saúde do gado. "Ele dizia que em todos os anos competindo, nunca tinha visto um boi ou um cavalo machucado", diz Francielio. "Dizia que quem mais se machucava era o vaqueiro, e mostrava cicatrizes no corpo dele para provar."
Fonte: Uol
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Ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e precisou reinventar sua profissão

Nelma



Já imaginou o que é ter que se reinventar aos 40, e não por vontade própria? Pois foi o que aconteceu com a Nelma Zaparoli, hoje com 58 anos. A Nelma é madrasta de uma amiga minha e fiquei encantada e comovida quando ouvi sua história. Aí, pedi para ela dividir com a gente. Hoje, a Nelma tem 58 anos, é artista e dá aulas de arte-terapia, mas não foi tão fácil tomar esta decisão, pois ela se formou em Odontologia aos 21 anos e adorava trabalhar na área de estética. Só que aos 44 anos, a Nelma sofreu um AVC, devido a uma condição cardíaca genética.
Superativa como sempre foi, ela estava na academia naquele dia em 2002, e às 7 horas da manhã, sentiu os sintomas. Mal sabia ela que sua vida mudaria: Nelma era canhoteira, e o AVC paralisou todo o lado esquerdo do seu corpo. Ela conta aqui como superou este susto e divide com a gente esta história superinspiradora.
“Minha vida mudou completamente: de repente eu não era mais dentista, fiquei 17 dias na UTI, um mês no hospital e mais dois meses de cadeira de rodas. Foi muito difícil, eu fiz acompanhamento psicológico e de fisioterapia, e fui reagindo aos poucos. Na terapia ocupacional, que me fazia movimentar o braço esquerdo, eu ficava tão nervosa por não conseguir, que chorava. Aí, decidi me libertar da cadeira de rodas: eu nunca quis depender dos outros, então, simplesmente levante e falei pra minha irmã: ‘se eu cair você me levanta’. Eu demorava meia hora para andar uma quadra, demorei para tirar novamente a carteira de motorista, mas consegui. Quando fazia 10 meses que tinha tido AVC, fui passar 21 dias no hospital Sarah, em Brasília. Tudo mudou. Vi que tinha gente muito pior e mudei meu modo de pensar. E, ainda, coloquei uma órtese (que lembra uma botinha articulada), que me deu mais liberdade.
Ainda tenho uma sequela grande do lado esquerdo. Não consigo pegar um copo, por exemplo. Mas depois de 6 meses do AVC comecei a aprender a escrever com a mão direita. Hoje, escrevo normalmente. E pensar que eu não conseguia nem escovar os dentes com a mão direita, no começo…
Ao final dos meus 21 dias no Sarah, o médico me recomendou arte-terapia, que me estimulou muito. Eu nunca tinha feito nada de arte, mas minha área de odontologia era estética, e eu fazia bem feito, modéstia à parte. (risos) Aí, comecei a trabalhar uma arte com textura. Fiquei 6 anos pintando com orientação de professor e comecei a dar aulas em 2009 porque senti necessidade de fazer algo por alguém. Fiz um ateliê na fazenda onde eu moro e comecei a dar aula para as crianças carentes que moravam por aqui. Atualmente, ensino crianças em processo de reabilitação. E a gente consegue conquistar cada coisa bacana! Hoje não paro! Não é porque isso aconteceu com a minha vida que ela acabou. Não dá para viver do passado, tem que virar a página. O mais importante é ser feliz”.
Fonte: Yahoo

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HANGRA REIS E O MISTÉRIO DA PEQUENA BAILARINA






BIOGRAFIA
Final do século XIX, no dia 13 de maio de 1888, em pleno dia onde extingue-se a escravidão no Brasil.
Uma menina, filha de escravos já alforriados consegue sobreviver a um parto extremamente difícil que acarreta na morte de sua mãe, Antônia.Os donos da Fazenda Progresso, o Barão Heleno de Bourbon primo em segundo grau da família da corte francesa, agraciado em bens e sua esposa a Baronesa Belina, que jamais conseguiram ter filhos, haja vista que os que nasceram foram natimortos. Sempre conhecidos por ser tão solícitos aos seus criados, porque foi um dos pioneiros a reconhecer o trabalho e pagar em moeda corrente pelos préstimos daquele povo africano. Decidiram para o assombro de toda comunidade Carioca da época adotar como filha menina que nascera naquele dia, chama-la de Hangra Reis do Brasil sobrenome que os pais adotaram quando aqui chegaram da África.
Hangra Reis fora uma homenagem que a Baronesa desejou fazer ao vilarejo Angra dos Reis - Estado do Rio de Janeiro, que tanto amava e que para si o local que mais dignificava o solo sagrado brasileiro. Hangra recebeu a melhor educação que o poder aquisitivo da época comportava, no entanto, muitas vezes esbarrou no mesmo contexto:
O preconceito Racial.
Era intolerável para a sociedade aristocrata da época aceitar um casal de senhores feudais ter como filha além de adotada também negra.Contudo, isso jamais impediu a menina que virou adolescente e então mulher, dominar seis idiomas, completar os estudos, formar-se com louvor em direito inda que tivesse que assistir algumas aulas no fundo da sala com dois metros de distância da penúltima fileira por exigência dos demais pais e mestres e sendo a única mulher e negra dentro da sala.No entanto, em seu coração ela incansavelmente teve o mesmo ideal, investigar casos cujos não havia explicações ou era absurdamente abafados dadas as circunstâncias ora política ora socioeconômica dos indivíduos envolvidos.
Seu pai era reticente quanto a isto, no fundo o Barão julgava que filha conseguiria uma vez sendo mulher e principalmente negra.Após a morte de Belina, sua mãe, ele também logo sucumbiu deixando todos os bens para sua única herdeira,Que vendeu a propriedade, e atirou-se a sua jornada crendo que essa era sua sina e paixão.

Hangra estava prestes a despertar em sua mansão no bairro do Catete no dia 23 de fevereiro de 1908 quando um estrondo rompeu o silêncio não só da jovem investigadora como também dos demais moradores de sua casa.
—Homessa!—gritou batendo na cama. — o que foi isto? — erguendo—se pondo o penhoar sobre sua camisola.
Bento veio logo batendo na porta de seu aposento tomado pela preocupação:
—Hangra! Hangra vosmicê está bem?
Imediatamente a silhueta da bela dama negra fez o coração do apaixonado Valentim sossegar.
—Graças a Deus!— pondo a mão sobre o peito e logo atropelado por ela e suas perguntas com aquele tom autoritário implícito:
— E Donana? Repousou os olhos nela Bento? Jaze bem? Por que me tomas! Anda homem e me ajude a saber dela e dos demais! — Essa era Hangra Reis do Brasil, uma mulher à frente de seu tempo e de seu mundo.
Foi no pequeno aglomerado na sala que soube que não somente Donana, como também os demais que com ela viviam e trabalhavam estavam todos, sem exceções a salvo.
—Pelos céus, que chongas foi essa?— reclamou Bento coçando a cabeça enquanto Hangra ia se direcionando de onde o estrondo se originara e foi lá que gritou em alto e bom som:
—Achadego! — expressão usada para coisas encontradas. Todos reuniram-se a sua volta, saindo do fundo da lareira com uma espécie de pacote.
—Mas que baraço é esse? —indagou Vicentin aludindo ao tipo de nó que se dava ao enforcado.
—Ave Marias, depois das... — rebateu Donana fazendo sinal do sino para rezar 3 vezes.
Hangra serena como sempre abriu espaço indo até a mesa da sala de jantar e abrindo cuidadosamente a tal encomenda e logo que repousou os olhos negros como jabuticabas maduras suspirou profundamente e arguiu:

—A-la-mar com certeza! — outra expressão da época para algo que ia além mar, além de nossa compressão. Lá havia uma carta e um desenho impresso numa espécie de papel cartão. Alguém jogara aquilo em sua casa.





—Hangra! —reagiu o parceiro. — Como pode esta mulher estar falando a verdade? –tomando o quadro com a pequena bailarina disparou:_ me parece um bem de raiz não é qualquer um boquirroto que tem condições de mandar pintar um quadro de um filho a óleo inda mais em aulas de balé!
—E se ficar aqui parara ouvindo suas conjecturas boçais saberei quando e onde está a verdade senhor Bento Vicentin? — arqueando a sobrancelha esquerda, um jeito muito peculiar de evidenciar sua insatisfação.
O moço saiu umas pisas duras e tratou de fazer o que lhe fora imputado.
Donana só esboçou um sonoro:
_Elaiá!
Uma hora e meia depois Hangra Reis acompanhada por Bento e às turras de seu cenho aportaram no endereço do bairro afastado e carente da Capital carioca.
—Desejo estar com a senhora Judith Braga.— disse a moça sendo ignorada pelos poucos que passavam, o preconceito não era elitizado, mesmo os menos favorecidos eram submergidos e impregnados por ele. Ali, a sua frente, jazia uma negra livre, com roupas de brancos, com posses e voz altiva.
Bento a fitou querendo tentar, e logo que fez o mesmo alguém gritou:
—Pensão acima, vire a esquerda!
A  jovem investigadora retrucou em alto e bom som:
—Se talhar meu braço o sangue é de cor vermelha, há alguém aqui que possui um de outra cor? —Hangra sussurrou entrando na carruagem: Agradecida Bento.
—Por nada.
—Eu creio que haverá um dia neste país que uma pessoa de bem não será julgada pelo seu credo, por suas posses nem por seu intelecto e principalmente pela cor que carrega na pele.

A casa era humilde. As pensões, na verdade cortiços eram muitos comuns naquela época. Um misto de cidadanias invadira o local hoje conhecido como Lapa. Era comum que nestes cortiços, bordéis se aglomerassem e meretrizes judias e italianas se engalfiassem pela clientela, daí também as frequentes visitas das Diligências o que hoje conhecemos como Polícia vinham apartar os arranca-rabos e então surgiu outro termo de nossa língua mãe foi concebido. Tudo começou com as prostitutas judias que vieram para o Brasil no final do século XIX e começo do século XX, elas falavam iídiche, a língua dos judeus da Europa Central. Quando achavam que um cliente tinha doença venérea, falavam ein krenke (krank significa "doente" em alemão). Nascia assim a palavra "encrenca”, porque os brasileiros da época entendiam que tal menção era feita para avisar sobre a chegada das Diligências usada desde então no português do Brasil para designar uma situação difícil.
A senhora tinha um peso no olhar inconfundível. Dispensava qualquer apresentação.
Convidou-os para entrar em seu quarto apertado e o se acomodaram. Judith rompeu o silêncio:
—Me disseram que a senhorita viria. — ela era ruiva, ela muito alva e bem sardenta e dedos comidos por unheiras de tanto lavar roupas para fora em troca de comida e trocados para não se prostituir.
Reis foi direto ao ponto:
—Como espera que eu ajude sua a senhora?
A mulher desabou a chorar. Bento emprestou gentilmente o lenço da lapela de seu paletó. Minutos se passam a senhora se refaz.
—Anete não vivia comigo. Vivia com a madrinha em seu bairro senhorita Hangra. Ela é uma madama de posses e desde que minha menina desmamou foi entregue a ela de comum acordo.
—Então tinha acesso a sua filha?— rebateu a investigadora.
—Sim. Sempre! Inclusive me chamava de mãezinha... — emocionando outra vez.
—E que houve?— Rendeu-se Bento ao assunto.
—Tudo que sei é que naquele dia minha Anete nesta posição ao qual foi pintada e em seguida, ao voltar ao à sala jazia seu corpo inerte e sem seiva alguma. Um facínora a assinou num golpe frio e cruel, degolando-a como uma ave para a ceia!
—Acalme-se. — Rogou Hangra. — E a mãe adotiva?
—Ela é sobrinha da Baronesa de Campos. Seu nome é Francisca do Carmo.
—A senhora do juiz Antunes do Carmo?— espantou-se Vicentin. Antunes era um dos homens mais poderosos da Capital de São Sebastião do Rio de Janeiro.
—Aquieta-te Bento!— impôs Reis. A preocupação era plausível, Antunes odiava Hangra Reis e toda sua história e esta animosidade era declarada aos berros por pelo mesmo.
—Hangra,pelos céus não se meta com este homem!— bradou Vicentin.
Ela o desprezou e foi enfática em sua ordem a mulher:

—Apanhe seus pertences, se quer realmente minha ajuda preciso que confie em mim e venha comigo,mas saiba: Estando ao meu lado toda e qualquer guarida até então oferecida por sua comadre e seu marido certamente lhe será cortada!
—Quero um esclarecimento pela morte de Anete senhorita Hangra!— indo arrumar seus pertences.
—Você enlouqueceu? — balbuciou Bento.
—Acha mesmo que vou passar um caso desses as claras?
—Deveria! Hangra, vosmicê deve considerar isto, eu rogo!
— Pense Bento,não se deixe levar pelas circunstâncias!
—Homessa! Do que falas?
—Porque será que sendo Francisca uma madrinha tão boa e deixando livre o acesso de Judith a filha não a tirou deste pardieiro? Hã? Debaixo deste angu há caroços Vicentin e eles não são torrões de açúcar. Dois mais dois ainda são quatro meu caro!
A volta para casa fora tranquila. Fica notório o quanto Judith encontrava—se em estado de êxtase diante da elegante carruagem de Hangra e seu olhar inda mais fulgente ao ver o tamanho de sua majestosa mansão no Catete.
Bento foi o primeiro a descer e amparar as damas ao solo.
—Sua casa é de fato um primor senhorita Reis! — proferiu a Judith. Hangra rebateu com um tom especulativo:
—Não tão diferente da casa de sua comadre a senhora Francisca do Carmo.
—Que isso senhorita? Deverás mais refinada! Vê-se mesmo que és uma pessoa de posses como falam.
Ao adentrar Donana que era por costume desconfiada e de gênio difícil ao ver a visita deixou os lábios em bico e pondo as mãos na cintura investigou:
—Quem é essa aí?
—Uma visita Donana. — respondeu Reis retirando as luvas e o chapéu e os acomodando num aparador no hall de entrada. — Seu nome é Judith Braga.
—A tal que jogou a carta e quase matou nós tudo é?
—Em carne e osso. — Objetou Hangra deixando claro que sua implicância em nada mudaria a situação. — Prepare um dos quartos de hóspedes Donana. A senhora Judith ficará alguns dias conosco.

— O defunto quando encontra quem carrega o caixão sempre se sacode... — pondo-se a desatinar palavras confusas como de costume quando contrariada.
Após acomodar a convidada Hangra Reis chamou Vicentin ao escritório para uma conversa a portas fechadas:
—Então, algum confábulo? — indagou Bento olhando seu relógio de bolso e o repousando no paletó no bolso interno do lado esquerdo.
—Preciso que vá ao cemitério e encontre o jazigo da menina. Quero saber o lote ou quadra, número, tudo! — Vicentin suspirou fundo, conhecia a moça, alcançava que certamente ela já deveria ter desenvolvido uma linha de raciocínio para aquele caso que embora semelhasse simplicidade apesar de atroz tendo em vista como se dera, certamente era um ninho de mafagos.
—Posso saber o motivo?
— Após entregar-me iremos até lá com Judith e de lá a Comarca da Cidade.
—Para?
—Pedirei a exumação do corpo de Anete.
—Vosmicê o quê? Enlouqueceste Hangra Reis? – Adentrar num caso dele já é em si um sandice e não satisfeita quer pedir a exumação? De fato, queres barulhos, tocas o sino da igreja oras!
—Bento, o que ainda fazes a minha frente? Mexa-se! Tudo isto é para este dia. Marcha!

E lá ia Vicentin, outro contrariado do dia. A questão era compreensível, naquele tempo pedir tal procedimento já era considerado problemático e de uma criança então um ato repugnante perante a Igreja, que considerava os pequeninos como seres in—corruptos, ou seja, puros e violar seu túmulo era como profanar a memória de um anjo. Essa era a parte religiosa da questão, ainda haveria o conflito de interesses afinal tratava—se de mexer diretamente no vespeiro conhecido como Juiz Antunes Do Carmo, um inimigo declarado de Hangra Reis sem nenhuma explicação aparente.
A porta rangeu e a figura imponente de Hangra rompeu o silêncio de Judith que deslumbrava pela janela o jardim da casa da investigadora.
—Vossa permissão Judith?
Num súbito susto virou—se respondendo:
—Ora veja senhorita Reis que careça pedir permissão para adentrar em vosso próprio lar.

—Gostaria que se arrumasse Judith, iremos ao Mausoléu de Anete, cri que seria um bom momento para aliviar sua dor ou me equivoquei? — levantando um ar investigativo.
—Mausoléu senhorita? — a mulher espantou—se.
—Sim. Algum problema? – pesquisou Hangra remexendo a maçaneta.
—Minha Anete não foi enterrada no Mausoléu da Família Carmo. Meu anjo jaze num sepulcro dos bastardos. – Que era uma ala do cemitério destinado aos filhos provenientes de ralações fora do casamento mas que foram de algum modo ou criados ou mantidos pelos pais, que costumavam passar como padrinhos.
Hangra somente parou refletindo e em seguida falou—lhe:
—Apronte—se. A carruagem já nos espera, nos encontraremos com Bento que lá já nos
Na carta havia escrito.
Peço a quem encontrar este pedido,havendo fé em mim que seja a Senhotita Hangra Reis do Brasil, ache forças para com ele desvendar este que foi o último momento de minha pequena Anete. Que se foi pelas mãos de um selvagem, que um talho forte em sua garganta ceifou lhe a vida de minha pequenina. Não tenho recursos senhorita Reis, mas soube que o senso de justiça lhe absorve, então rogo a sua clemência e aceite esse caso e dê um pouco de paz ao meu inquieto coração de mãe.
Judith Braga.
Rua do alfineiros,Brejo Alto.
—Bento, mande preparar a carruagem, vamos sair e visitar esta senhora.


Na chegada ao cemitério Bento Vicentin ainda não havia abordado, então, as duas se dirigiram ao sepulcro da menina uma vez que Judith sabia onde se localizava. Hangra deixou com Joaquim, o cocheiro, a ordem de onde as encontra-la depois de anotar o endereço que Judith deu prontamente.








Túmulo de Anete no Sepulcros dos Bastardos


De fato o jazigo da menina, a pequena bailarina estava na parte mais afastada da morada dos mortos. Um lugar esquecido pelos homens e seus passados perturbadores. Judith emocionou-se ao vê-lo.
Hangra abaixou repousando sobre a lápide botões de rosas brancas. Assim que Reis deu a mãe um lenço para conter suas lágrimas, Vicentin chegou afoito e já indagando a investigadora num canto.
_Por que me mandou descobrir onde a menina tinha morrido se sabia que a mãe conhecia o lugar?
Hangra sorriu e fez sinal para que seu assistente a seguisse de volta a Judith.
_Judith, desculpe mas a pergunta que não me cala precisa ser expurgada. - Hangra referia-se ao fato da menina ter sido enterrada naquele local o que sugeria que a paternidade de Anete fosse do então Juiz Antunes do Carmo.
A mulher fechou o cenho, respirou fundo e principiou a falar desatinadamente:
_Senhorita este é um segredo que jurei levar para além túmulo! – o que fez Valentin compreender o intento de Hangra. Era óbvio que a mãe saberia onde a filha estaria enterrada, assim como teria que expor o tal segredo se realmente fosse o intento de fazer justiça e de cara já podia alcançar o pretexto pelo qual tão bondosa madrinha nunca a impediu a visitação e certo contato com a criança, entretanto nunca o tirou da sarjeta dos cortiços.- Me envolvi com Antunes na vinda das Minas Gerais para cá senhorita. A senhorita deve conhecer os boatos a respeito dele.
_Que boatos? – averiguou Bento.
_O Juiz Antunes do Carmo é também conhecido como o Senhorio dos Bokmanis - palavra não localizada nos dicionários consultados; provavelmente trata-se de alguém ligado ao comércio de escravos na Costa das Minas Gerais.
_Tráfico de escravos? – ressaltou Vicentin.
_Mas que trazes acima do pescoço, Homessa? –disparou Hangra Reis.- O que fases com está cabeçorra que não prestas atenção alguma ao que está em vossa volta homem? Antunes é Senhor Mor Bokmani fecha a bora pela sua posição de social e é fato que possui um imenso Cabedal. – que eram grossos dízimos, foros ou pensões.
Judith concluiu:
_Tenho certeza que minha Anete foi assassinada a mando de um dos dois.
_Possivelmente-Adiantou-se Bento com mãos na lapela.
O que Hangra reprovou com um olhar. Dias se passaram e um alarido tomou a cidade, pois sendo advogada, Hangra soube manejar as leis ao seu favor e evitar que Antunes tivesse acesso ao seu pedido de exumação do corpo da filha como Juiz. No dia da exumação, todos estavam presentes, Hangra Reis, Bento Vicentin, Judith, a madrinha de Anete, o Padre a pedido da Madrinha e o Médico a pedido da investigadora.
Quando o corpo foi trago e colocado na sala cheia de barras de gelos para diminuir o odor da putrefação, porque era dessa maneira que as coisas eram feitas.
O médico ficou a posto esperando as perguntas de Hangra que era fulminada pelo Juiz que chegou atrasado juntando-se a esposa que era consolada pelo padre.
_ Violar o descanso de uma criança! A senhorita teme a Deus? – Soltou o padre.
_Sim padre. E como Ele gosto das coisas bem esclarecidas.
_Infame!– disparou o Juiz, cuidarei que pague por isso Senhorita Hangra Reis do Brasil.
_Tem algo a ser escondido caro Juiz Antunes? Refiro a este caso logicamente, pois bem sei que tens e muito a ocultar dos olhos de nossa Nação, falo algo inapropriado? – caminhando frente ao corpo da menina continuou:_ Ainda há algo que preciso elucidar antes de avançarmos neste caso. Fui procurada pela senhora Judith que se apresentou como mãe biológica de Anete, segundo a mesma, a garotinha foi fruto de um caso entre ela e o nobre Juiz aqui presente, o que se confirmou onde a pequena foi enterrada, nos Sepulcros dos Bastardos que dispensa de minha parte explicações. Dito isto, nobre Doutor Sebastião, o ferimento que matou Anete foi em qual direção?
O homem examinou o corpo inocente e respondeu:
_Da esquerda direita senhorita Reis.
_Perfeito.- expôs Hangra.
_Com que tipo de objeto?
_Provavelmente lâmina muito fina, mas profunda.
_Interessante.- objetou a moça outra vez. O senhor se atreveria dizer mais sobre tal objeto? Faca? Punhal? Estilete?
_Nenhum deles com certeza. Foi um elemento mais fino e pontiagudo.
_Entendo.- obtemperou Reis andando de um lado a outro. _ Senhora Francisca Do Carmo,naquele momento em que Anete parou para ser pintada saberia nos contar para onde lançava seu olhar?
_Sim. A frente dela estavam meu marido.
_Sozinho?


A mulher o olhou sério e fez uma revelação capciosa:
_Pelo que vi, do ângulo que me encontrava, havia alguém conversando com ele atrás da cortina do lado esquerdo, mas não sei quem, não vi a pessoa.
_Só mais uma coisa senhora...A credita que seu marido seria capaz de matar a filha bastarda por alguma razão?
_Jamais. Antunes é um homem de poucas palavras porém, sempre foi muito carinhoso com Anete como eu também.
Foi quando Judith se pronunciou:
_Vosmicê? Faça me rir! Aturou minha Anete goela adentro como licor de bacalhau, em tempo algum teve por ela, amor de mãe!
_Judith...Sempre amei Anete como a filha que não pude ter.
_E as escoriações que meu anjinho apresentava pelo corpo? Machas, hematomas? Como paravam nela?
Hangra interferiu.
_Como eram essas lacerações senhora Judith?
_Digna de pena. Todas! Não suporto se quer lembrar.
Hangra olhou o corpo da menina e depois de analisa-lo pediu ao médico que o tapasse e o levasse para um local privado do que seria revelado. A senhorita posicionou-se no meio da sala e foi enfática:

_O assassino de Anete encontra-se nessa sala senhores.

- Foi quando o Diligência surgiu com alguns guardas para efetuar a prisão previamente avisados por Reis.
_Como pode ter tanta certeza? – Perguntou o padre.
_Dados, dados, dados, não faço tijolos sem barros Padre. - gracejou sem perder a seriedade que a questão exigia.
Todos emudeceram afoitos.
_O assassino de Anete foi muito perspicaz. Inclusive porque premeditou o crime, uma vez que sabia que naquele dia o quadro da menina estava sendo pintado e como qualquer criança,lançaria seus olhos encantados para pessoas que amava, por isso lançou o olhar para o pai, o Juiz Antunes do Carmo.
_Como ousa Hangra Reis? Acusar-me de matar minha filha?
_Só pode ter sido vosmicê! Monstro! -berrou Judith.
_Antunes!!!!-Do Carmo caiu nos braços do Padre foi quando o Chefe de Polícia volveu-se a ele para prendê-lo e Hangra o impediu arguindo:
_Permita-me terminar. - A jovem prosseguiu:_ Entretanto, isso não faz do Juiz o chacino da pequena bailarina.
_Quem então? Ela era bastarda. Como explicaria a filha bastarda sendo um juiz? Se não foi ele, quem mais poderia cometer tamanho ato?– questionou Bento afoito como todos os outros.
Hangra deliberou:
_Sabe há curiosidades muito pertinentes no corpo humano. Imaginem que uma pessoa que é canhota, tem por hábito em reflexos ocultar-se sempre no lado esquerdo. Assim também como toca e usa coisas no dia a dia, e segue ao agredir ou para defender-se, o canhoto sempre sucede do mesmo modo, para direita. E o homicida de Anete era esquerdo. Também era ambicioso, coisas suntuosas, belas, como casas de alto de nível por exemplo. Naquele dia fatídico certamente seu executor tentou remediar algo com Juiz Antunes, ele não aceitou o fato de ser meramente excluído e decidiu romper com o silêncio que seria além-túmulo. - Lançando o olhar para mãe que transformou o semblante de dor em surpresa e deixou escapar num balbucio:
_Como soube?
Hangra parou rente a ela a enfrentou cara a cara:
_Percebi que era canhota desde quando li sua carta jogada em minha casa senhora Judith, mas aquela persistente inclinação para esquerda no topo dos tis, traços e assentos são reveladores, o que confirmei quando fomos apresentadas. Como pegou a xícara, como apoiou-se para adentrar na carruagem. Todavia, foi o seu deslumbre pela minha residência que me observa-la mais de perto. De repente sua tristeza de uma mãe justiceira diante dos mimos que o dinheiro pode nos dar confesso fez mostrar o quanto sua cobiça era notória. Tudo em meu lar era tão lindo aos seus olhos. Fulgente mesmo foi quando lhe emprestei o lenço diante da lápide de Anete, mais uma vez a senhora o apanha com a mão esquerda e ao me devolver percebo que jazia seco, perguntei-me para onde foram aquelas lágrimas tão copiosas e absorvente a instantes de mim? A senhora Judith jamais amou Anete fez dela um moeda de troca, que com o tempo viu que não seria tão simples assim. Haja vista também que as escoriações que cometeu na menina eram na intenção que o pai voltasse contra sua esposa por maltratar a filha e quem sabe ter uma nova família com a costureira.Por isso naquele dia em que o quadro foi pintado foi também a última que visitou o Juiz conversando com ele no lado esquerdo da cortina para onde a filha olhou porque certamente a viu ou ouviu sua voz. Anete não olhou para o pai, o que prendeu sua atenção foi a mãe.
_Mas por quê vosmicê? - quis saber o Juiz.
_Ela sabia do entrevero entre nós Juiz Antunes, supôs que faria de tudo para incrimina-lo.No entanto, esqueceu que procura a justiça seja como ela for e não cartas marcadas.
_Mas como matou a menina?
_Um corte producente da esquerda para direita, de uma lâmina fina, uma agulha.Que mais um lavadeira e costureira pode ter em casa para cometer tal ato. Minto Doutor?
_Não, uma agulha seria completamente compatível com os machucados.
E foi quando os guardas a prenderam e a levaram.
Na saída Antunes veio ter com Hangra:

_Obrigado.De fato Judith vinha tentando convencer-me algum tempo dos maus tratos que Anete sofria,ela alegava a minha senhora,contudo via como Chica amava minha Anete.E naquele dia foi mesmo ela quem conversava comigo as escondidas,mas nossa bailarina viu.Numa das inúmeras ameaças que me fez,disse que muito me arrependeria,no entanto em tempo algum cogitei tal desgraça,ela sempre aparentou amar a criança.E depois se foi.

_Não tem que me agradecer, fiz isso em memória de sua filha. Agora a pequena bailarina poderá dançar nos céus dos anjos e em paz. No entanto, se quiser realmente agradar-me Juiz, dê a sua filha o lugar que merece. Um funeral justo, repouse seu corpo no Mausoléu de sua família porque é lá que Anete deve ficar.
Dias depois O casal Carmo refez o funeral da menina. E ao sair do cemitério Hangra e Bento que foram convidados de honra, trocavam palavras quando a moça descontinuou os passos como quem vira algo.
Um ar correu entre os dois,o ar ficou mais leve,um ruido como uma gostosa gargalhada se perdeu.
_O que foi Hangra? - investigou Vicentin que nada via onde ela repousava o olhar.
_Nada. Só me emocionei por um instante.
_Por quê?


_É assim que me sinto toda vez que posso ver uma bailarina dançando - respondeu abrandada pondo-se a conversar outra vez.


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