Danka Maia é Escritora, Professora, mora no Rio de Janeiro e tem mais de vinte e cinco obras. Adora ler, e entende a escrita como a forma que o Destino lhe deu para se expressar.
Ama sua família, amigos e animais.
“Quando quero fugir escrevo, quando quero ser encontrada oro”.
Em entrevista, Meldahl disse que tinha o costume de deixar pequenos desenhos no espelho do banheiro para a sua colega de quarto e um dia tirou uma selfie com um deles. Como ela e os seus seguidores gostaram do resultado, Helene continuou e as artes começaram a ficar cada vez mais elaboradas. Ela explica que usa canetas marcadoras para acrílico ou qualquer outra coisa que seja facilmente removível do espelho. Confira algumas das criações:
1 — Então é natal
2 — Uma velhinha
3 — Dama de Copas
4 — Treinando o gancho
5 — Marilyn Monroe
6 — Peter Pan
7 — O gênio do smartphone
8 — Subindo as escadas
9 — O beijo da Mulher-Aranha
10 — O fim do arco-íris
11 — Super Mario
12 — Uma selfie mágica
13 — Gostosuras ou travessuras?
Gostou? Então confira mais no Instagram do projeto.
As regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa são obrigatórias no Brasil a partir de hoje (1º). Em uso desde 2009, mudanças como o fim do trema e novas regras para o uso do hífen e de acentos diferenciais agora são oficiais com a entrada em vigor do acordo, adiada por três anos pelo governo brasileiro.
Assinado em 1990 com outros Estados-Membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para padronizar as regras ortográficas, o acordo foi ratificado pelo Brasil em 2008 e implementado sem obrigatoriedade em 2009. A previsão inicial era que as regras fossem cobradas oficialmente a partir de 1° de janeiro de 2013, mas, após polêmicas e críticas da sociedade, o governo adiou a entrada em vigor para 1° de janeiro de 2016.
O Brasil é o terceiro dos oito países que assinaram o tratado a tornar obrigatórias as mudanças, que já estão em vigor em Portugal e Cabo Verde. Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste ainda não aplicam oficialmente as novas regras ortográficas.
Com a padronização da língua, a CPLP pretende facilitar o intercâmbio cultural e científico entre os países e ampliar a divulgação do idioma e da literatura em língua portuguesa, já que os livros passam a ser publicados sob as novas regras, sem diferenças de vocabulários entre os países. De acordo com o Ministério da Educação, o acordo alterou 0,8% dos vocábulos da língua portuguesa no Brasil e 1,3% em Portugal.
Alfabeto, trema e acentos
Entre as principais mudanças, está a ampliação do alfabeto oficial para 26 letras, com o acréscimo do k, w e y. As letras já são usadas em várias palavras do idioma, como nomes indígenas e abreviações de medidas, mas estavam fora do vocábulo oficial.
O trema – dois pontos sobre a vogal u – foi eliminado, e pode ser usado apenas em nomes próprios. No entanto, a mudança vale apenas para a escrita, e palavras como linguiça, cinquenta e tranquilo continuam com a mesma pronúncia.
Os acentos diferenciais também deixaram de existir, de acordo com as novas regras, eliminando a diferença gráfica entre pára (do verbo parar) e para (preposição), por exemplo. Há exceções como as palavras pôr (verbo) e por (preposição) e pode (presente do indicativo do verbo poder) e pôde (pretérito do indicativo do verbo poder), que tiveram os acentos diferenciais mantidos.
O acento circunflexo foi retirado de palavras terminadas em “êem”, como nas formas verbais leem, creem, veem e em substantivos como enjoo e voo.
Já o acento agudo foi eliminado nos ditongos abertos “ei” e “oi” (antes “éi” e “ói”), dando nova grafia a palavras como colmeia e jiboia.
O hífen deixou de ser usado em dois casos: quando a segunda parte da palavra começar com s ou r (contra-regra passou a ser contrarregra), com exceção de quando o prefixo terminar em r (super-resistente), e quando a primeira parte da palavra termina com vogal e a segunda parte começa com vogal (auto-estrada passou a ser autoestrada).
A grafia correta das palavras conforme as regras do acordo podem ser consultadas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), disponível no site da Academia Brasileira de Letras (ABL) e por meio de aplicativo para smartphones e tablets, que pode ser baixado em dispositivos Android, pelo Google Play, e em dispositivos da Apple, pela App Store.
Entre as diversas novidades programadas para estrearem nos cinemas em 2016, alguns são mais aguardados que outros por serem adaptações de obras literárias.
As adaptações sempre geram uma polêmica e uma ansiedade dos fãs. Isso não significa que os filmes são ruins. Mas para se ter uma experiência completa da trama, o melhor é também conhecer a fonte daquela história, ou seja o livro.
Por isso nós separamos 10 filmes que estreiam em 2016 que são adaptações de obras literárias, e que você precisa ler antes que cheguem às telonas:
“A Quinta Onda”, Rick Yancey
Mais uma saga de ficção científica que está chegando aos cinemas. Em “A Quinta Onda”, a jovem Cassie sobreviveu a quatro estágios de ataques alienígenas, que destruíram a rede elétrica, causaram enormes desastres naturais, espalharam um vírus mortal, e passaram a habitar e controlar hospedeiros humanos. Agora, os aliens, chamados de Outros, estão preparando uma quinta onda de invasão.
Estreia: 14 de janeiro
“A Escolha”, Nicholas Sparks
Mais uma história de Nicholas Sparks para nos emocionarmos. “A Escolha” conta a história de dois vizinhos, que assim como seus cachorros, acabam se apaixonando, mas precisarão enfrentar vários problemas, entre eles o fato da protagonista já ter um namorado.
Estreia: 4 de fevereiro
“Orgulho e Preconceito e Zombies”, Seth Grahame-Smith
A história traz um tom de humor ao clássico “Orgulho e Preconceito”, ao misturar a trama de Jane Austen com um apocalipse zombie. Na paródia, Elizabeth Bennet (Lily James) e suas irmãs são treinadas em artes marciais para combater os zumbis e são justamente essas habilidades guerreiras que deixam o Mr. Darcy (Sam Riley) encantado pela protagonista.
Estreia: 18 de fevereiro
“Convergente”, Veronica Roth
Com o fim de “Jogos Vorazes” a maior heroína dos cinemas agora será Tris, de “Divergente”, que também já está chegando ao final. Na primeira parte do último livro da saga, “Convergente”, Tris (Shailene Woodley) vai atrás de toda a verdade além dos muros de Chicago e acaba descobrindo muitos segredos sobre si mesma e o povo preso na cidade, e o que significa realmente ser um Divergente. O desfecho da saga só será exibido em 2017 nas telonas.
Estreia: 17 de março
“Alice Através do Espelho”, Lewis Carroll
As duas histórias de Alice escritas por Lewis Carroll são clássicos que já ganharam várias adaptações. O novo filme da Disney será uma continuação daquele de 2010. No livro, a garota Alice atravessa um espelho e retorna para o País das Maravilhas, onde participa de um surreal jogo de xadrez. Muitos elementos desse segundo livro já apareceram no filme anterior, por isso, o novo longa tem uma história bem diferente, na qual Alice (Mia Wasikowska) vai precisar enfrentar um novo vilão, o Tempo (Sacha Baron Cohen), que se uniu a Rainha de Copas, em um plano de dominação do país das Maravilhas.
Estreia: 26 de maio
“Inferno”, Dan Brown
Depois de “Anjos e Demônios” e “Código Da Vinci”, chegou a vez de mais uma aventura do simbologista Robert Langdon chegar aos cinemas. Em “Inferno”, o personagem criado por Dan Brown acorda em um hospital em Florença, na Itália, sem se lembrar do que aconteceu nos últimos dias, e precisa descobrir pistas escondidas envolvendo o Inferno de Dante, antes que uma terrível praga se espalhe pelo mundo.
Estreia: 13 de outubro
“Animais Fantásticos e Onde Habitam”, Newt Scamander (J.K. Rowling)
A obra escrita por J.K. Rowling na verdade é um livro didático da saga Harry Potter, da disciplina Trato das Criaturas Mágicas. Na adaptação cinematográfica, o autor do livro didático, Newt Scamander (Eddie Redmayne), viaja para a “magofóbica” América – mais especificamente Nova York – e algumas das criaturas mágicas, raras e ameaçadoras que captura em suas viagens ao redor do mundo acabam fugindo.
Estreia: 18 de novembro
“Sete Minutos Depois da Meia-Noite”, Patrick Ness
O livro conta a história de Connor, um menino que sofre muito bullying na escola e cuja mãe está com uma doença terminal. Um dia ele encontra um monstro-árvore (Liam Neeson) que o ajudará, porém com a condição de que o garoto nunca minta para ele.
Estreia: outubro de 2016
“O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares”, Ransom Riggs
A adaptação, que conta com nomes no elenco como Judi Dench, Eva Green, Samuel L. Jackson e Asa Butterfield, traz a história do jovem Jacob (Butterfield) que segue pistas que o levam para uma ilha misteriosa, onde ele descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiar. Ao explorar os quartos e corredores abandonados, ele descobre que seus antigos ocupantes possuíam poderes incríveis e que ainda podem estar vivos.
Estreia: dezembro de 2016
“Quem é Você, Alasca?”, John Green
O primeiro livro de John Green vai finalmente ganhar uma adaptação para os cinemas. A trama acompanha um garoto que vai estudar num colégio interno e acaba conhecendo a misteriosa e problemática garota Alasca Young, por quem se apaixona.
Um homem deu um susto incrível nos funcionários de um necrotério na Rússia, nesta última semana. Após ser declarado como morto devido à ingestão em excesso de bebida alcoólica em uma festa, ele acordou dentro da gaveta onde foi colocado antes de ser enterrado.
Segundo o jornal Khasanskiye Vesti, o rapaz ainda voltou para a festa após “retornar do mundo dos mortos”. Ainda segundo a imprensa local, amigos do russo optaram por chamar uma ambulância após ele desmaiar e não apresentar sinais de vida.
Assim que chegou, a equipe médica declarou o homem como morto e rapidamente o encaminhou para o necrotério. Horas depois, acordou dentro de uma gaveta refrigerada.
“Naquela noite, o necrotério local estava lotado. Os órgãos dos mortos não estavam apenas nas prateleiras, mas também no chão da sala resfriada, onde o nosso herói "morto” foi deixado", afirmou um porta-voz da polícia ao jornal Khasanskiye Vesti.
Espantado com a situação, o homem correu para tentar deixar a sala, mas se viu trancado e entrou em pânico. Seus gritos chamaram a atenção de um funcionário do necrotério, que rapidamente solicitou a presença da polícia e outros médicos.
Após ser interrogado, o rapaz foi liberado pelas autoridades e retornou à festa, para surpresa de seus amigos que já lamentavam sua morte.
Pois bem, fiquei cá nos meus pensamentos como
retomaria o Blog em 2016 e ainda estudando alguns projetos posso lhes garantir
que muitas mudanças irão acontecer no Danka Machine.
Antes de lhes apresentar o Papo Com Fé 2016, quero
usar este espaço que para mim é tão precioso e rico onde com vocês posso
exprimir minhas ideias, opiniões e tudo mais.
O mundo está em completa transformação e ao mesmo
tempo num desgaste emocional muito
grande. Ninguém tem muita paciência com ninguém, e cabe aqui colocar que talvez
a palavra correta seja intolerância. Atrevo-me ainda a refletir e chama-lo para
esta reflexão, será mesmo que não temos tolerância ou não queremos mais
exercita-la de tanto decepções do ser humano conosco, sejam os de longe ou os
que nos cercam? Pondero que caminho beire por aí. Muita gente querendo
prevalecer em cima do talento do outro, da família do outro, do cargo do outro,
da vida e tantos mais adjetivos caberiam aqui. Mas um Ano Novo nos adveio, é
como receber um carteiro a moda antiga por uma resposta preciosa e nela estar
escrito: Você recebeu uma nova oportunidade.Aproveite!
E vejo assim e você? Sei que as durezas da vida as
vezes nos torna tão densos que semelhamos aquela areia mágica que é impermeável
quando colocada na água ,nem da sinal que irá se molhar.Na tal areia o que
acontece é o inseticida para mosquitos em nós os desgostos da lida.
No entanto, calejados
estamos aqui.E vamos em frente!
Creia! Em Deus faremos proezas!
Bora viver esse 2016 galera Machine, e ver que há um
lindo roteiro para ser vivido por cada um e logicamente por todos nós.
Ela usou todo o seu melhor na confecção daquele cartão... Ao representar a raiz de branco fez no sentido de demonstrar a possibilidade de que se as raízes tiverem a essência da paz, por mais que as folhagens tenham dias escuros, de uma forma ou de outra, haverá de aprender iluminá-las (afinal, a paz é um exercício diário). Gostou do efeito das nuances e do pensamento de que ficaria muito feliz se as cores representadas no pinheiro viesse provocar reflexão, renovação... Agradeceu a Deus pelas pérolas que por hora enfeitam seu próprio pinheiro e sem mais delongas, escreveu: Não está fácil para ninguém... Mas, não devemos esquecer que o nosso melhor presente será sempre o Amor e a Caridade. Feliz Natal! Claudiane Ferreira
A todos os leitores, autores e amigos faço votos que tenham um Natal caloroso e que reflitam os versos do Gilberto de Almeida que deixei de presente para mim e também para vocês. ... se o homem, mais humilde (e sábio), um dia primeiro sem tentar mudar o mundo, buscasse a luz da própria melhoria!
O roteiro é conhecido: uma jovem namora por um ano com um rapaz que vive em outra cidade. Os dois usam a internet para se falar e, num determinado momento, concordam em se despir diante da câmera num programa de mensagens instantâneas. A relação acaba e as imagens dela vão parar na caixa postal de seus familiares, amigos e colegas de faculdade. Casos de revenge porn, ou pornografia de vingança, como ficou conhecido este tipo de crime mundo afora, têm se tornado cada vezmais comuns com o crescimento das redes sociais e aplicativos de relacionamento. Até pouco tempo, os autores deste tipo de ataque ficavam impunes. Mas o caso relatado acima chamou a atenção por outro motivo: dois desembargadores de Minas Gerais entenderam que a jovem também foi culpada por ter se exposto nas imagens íntimas.
O julgamento ocorreu no mês passado no cartório da 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça mineiro. Na primeira instância, a juíza Andreísa Alves decidiu condenar o réu, um analista de sistemas, ao pagamento de indenização de R$ 100 mil por danos morais à ex-namorada. Ao chegar ao tribunal, no entanto, a decisão se reverteu. Dois dos desembargadores que analisaram o caso, entenderam que a vítima colaborou “de forma bem acentuada e preponderante” para o crime e reduziram o valor da punição para R$ 5 mil.
A vítima dessa divulgação foi a autora [da ação] embora tenha concorrido de forma bem acentuada e preponderante. Ligou sua webcam, direcionou-a para suas partes íntimas. Fez poses. Dialogou com o réu por algum tempo. Tinha consciência do que fazia e do risco que corria”, escreveu o relator Francisco Batista de Abreu ao justificar sua decisão, reiterada pelo colega Otávio de Abreu Portes.
Para o magistrado, não houve “quebra de confiança” do casal, uma vez que o namoro foi “curto e à distância”. “As fotos em momento algum foram sensuais. As fotos em posições ginecológicas que exibem a mais absoluta intimidade da mulher não são sensuais.(...) São poses para um quarto fechado, no escuro, ainda que para um namorado, mas verdadeiro. Não para um ex-namorado por um curto período de um ano. Não foram fotos tiradas em momento intimo de um casal ainda que namorados. E não vale afirmar quebra de confiança. O namoro foi curto e a distância. Passageiro. Nada sério.”
Especialista em direito digital, a advogada Gisele Truzzi acredita que decisões como estas podem estimular esse tipo de comportamento em outros homens que se sentirem revoltados com o fim de uma relação. “É como se o desembargador compactuasse com o agressor. Como se dissesse: ‘Culpada ela, que se exibiu.’ Certamente, esses R$ 5 mil não vão custar a esse indivíduo e ele vai repetir [o ato].”
Na opinião da advogada, ao julgar este tipo de crime, os juízes precisam deixar de lado seus valores pessoais para dar a proteção que a vítima merece. “Não interessa se a pessoa posou para essas fotos. É a intimidade dela. Entendo que não é uma questão de culpa concorrente da vítima. Quem tem culpa é o ofensor. Não é porque ela quis seduzir o parceiro – e não importa se é um relacionamento de uma semana-, ela confiou neste parceiro e ele traiu essa confiança. A vítima já foi exposta quando ingressou na justiça se expôs novamente ao tribunal.”
Pornografia de vingança Há nove anos defendendo vítimas de pornografia de vingança, a advogada afirma que, felizmente, a maior parte dos casos têm conseguido condenações na justiça, já que a Constituição e os Códigos Civil e Penal já prevêem o direito à privacidade e punições a quem atenta contra a intimidade. “A internet não muda a configuração do crime, que entra no rol dos crimes contra a honra do Código Penal. O que mudou foi a ferramenta”, diz.
Abaladas emocionalmente e com vergonha de falar sobre os casos, muitas vítimas destes ataques eletrônicos acabam demorando a agir, o que dificulta a reunião de provas para comprovar a identidade do autor. Segundo a especialista em direito digital, quanto antes for feita a denúncia, maiores as chances de rastrear o computador de onde partiram os ataques e impedir que as imagens se espalhem ainda mais pela rede, causando um dano ainda maior.
Veja abaixo outros cuidados que devem ser tomados para minimizar os efeitos de um ataque virtual:
“A sexta-feira 13 amanheceu quase fria em Paris. Mínima de 9 graus, típica de um meio de outono. À minha frente, o dia se anunciava longo: dentista logo cedo, escritório na sequência e encontro com amigos à noite. Tentei bolar um look que fosse, ao mesmo tempo, clássico e roqueiro, para durar toda a jornada. Sou designerde interiores e trabalho na maison Pierre Frey, uma conhecida grife de sofás e papéis de parede com sede no bairro de Saint Germain de Prés. Escolhi uma camisa azul, uma calça slim preta, botas de couro com estampa animal print e batom vermelho nos lábios. Além, é claro, de meus óculos de grau. Tenho miopia e, sem eles, não sou ninguém.
No meio da tarde, já cansada e antevendo o dia de labuta que teria também no sábado, comecei a questionar o combinado feito com meu amigo Emmanuel Wechta. Aos 42, Manu, como todos o conhecemos, trabalha numa casa de repouso da Cruz Vermelha coordenando atividades recreativas e tem uma energia invejável. Havia comprado ingressos para o show da banda de garage rock Eagles of Death Metal naquela noite no Le Bataclan. Foi uma compra impulsiva, feita em junho, logo após assistirmos a outra apresentação do grupo. ‘As entradas são baratas. Pago o seu e pronto’, avisou ele à época.
"O clima no Bataclan era ótimo. Havia tatuados, barbudos, quarentões, garotas mais jovens"
Chegando lá, decidimos ficar no balcão do terceiro andar. Gosto da pista em frente ao palco, mas Manu usa muletas para se locomover, devido a um problema na coluna, e precisava se sentar. Sem perceber, ficamos colados a uma saída de emergência. O clima no Bataclan era ótimo. Havia tatuados, barbudos, quarentões, garotas mais jovens. Copos de cerveja circulavam de mão em mão. Não tenho o hábito de fazer posts no Facebook, mas a noite estava tão boa que publiquei uma foto ao lado de Manu e de sua prima Marielle [Timme, 32, produtora cultural].
O grupo subiu atrasado ao palco, às 21h, mas ninguém pareceu se importar com isso. Não havia a menor agressividade no ar. Quando o Eagles começou a tocar, os mais jovens subiram nas costas dos parceiros. Alguns eram suspensos pela massa e iam sendo levados sobre a multidão até a beirada do palco, de onde os seguranças os mandavam de volta. Lá de cima, ríamos vendo tudo aquilo. O vocalista bigodudo, Jesse Hughes, jogou palhetas para o público e armou uma batalha vocal entre homens e mulheres. Me levantei para dançar ao lado de Marielle e fotografar. Nesse momento, disse a mim mesma: ‘Valeu a pena vencer o cansaço. Fiz bem em ter vindo’.
De repente, um barulho ensurdecedor veio do fundo da sala. Por causa da euforia, tivemos todos a mesma reação: ‘Faz parte do espetáculo!’. O som fazia ‘tá-tá-tá’, como se alguém queimasse fogos de artifício. Virei-me de costas, não me dei conta de nada diferente, e voltei a olhar para o palco. Foi quando vi a expressão assustada dos músicos e percebi que algo estava fora do normal.
Um guitarrista saía do tablado correndo. O outro parou de tocar e ficou congelado em frente a seu microfone, sua enorme barba pendendo do rosto e sua guitarra em ‘V’ imóvel. No mesmo segundo, alguém disse para eu me proteger atrás do balcão. Me abaixei e, enquanto fazia isso, vi de longe três homens segurando armasenormes. A miopia me impedia de enxergar seus rostos com clareza. O ruído voltou e agora era ensurdecedor.
"Eu, que num primeiro momento pensei se tratar de um assalto, vi os disparos indiscriminados sobre pessoas que não resistiam e entendi que éramos alvo de terroristas. Tive a certeza: iríamos todos morrer"
Um deles iluminou um objeto e o lançou em meio ao público. Pensei: ‘É uma granada’. De repente, as luzes acenderam e a cena ficou ainda mais crua. Eu, que num primeiro momento pensei se tratar de um assalto, vi os disparos indiscriminados sobre pessoas que não resistiam e entendi que éramos alvo de terroristas. Eles eram jovens. Não usavam máscaras. Tive a certeza: iríamos todos morrer.
Senti muito medo. Ainda no chão, ouvi: ‘Abra a porta, temos de sair!’. Eu era a mais próxima, precisava fazê-lo. Mas o temor de ser vista e alvejada me deteve e, quando finalmente me dirigi até a porta, o fiz ajoelhada. Tentei girar a maçaneta diversas vezes – parecia impossível destravá-la. Concluí que haviam nos trancado lá dentro para metralhar a todos com calma. Mas, felizmente, alguém ao meu lado insistiu que eu tentasse de novo, e então consegui.
Por uma fração de segundo, não soube se era melhor fugir ou ficar ali escondida. Tudo estava acontecendo muito rápido. Corri. Fui a primeira a descer pelas escadas, no que pareceram os dois andares mais longos da minha vida. O tempo todo, temia ser surpreendida por uma Kalashnikov [arma usada pelos terroristas do Estado Islâmico]. Me senti completamente sozinha. Claro que havia pessoas atrás de mim, mas não olhei para trás. Perdi meus amigos de vista.
Cheguei ao térreo. Nenhum tiro me atingira nas escadas e, agora, precisava sair dali para acabar com o pesadelo. Me virei para a direita, pensando na curta distância entre aquele inferno e a rua, talvez livre. Estava tão desnorteada, porém, que andei em direção ao palco. Quando percebi o erro, imediatamente pensei: ‘Estou voltando para dentro da sala, isso não é bom!’.
"Fui a primeira a descer pelas escadas, no que pareceram os dois andares mais longos da minha vida. O tempo todo, temia ser surpreendida por uma Kalashnikov. Perdi meus amigos de vista"
Dei meia-volta e aí avistei uma saída de emergência. Me joguei sobre ela, que destravou com facilidade (ao contrário da outra, era acionada por uma grande barra central) e caí na rua, cercada por outros fãs que fugiam em todas as direções. Movida pela adrenalina, nunca corri tão rápido em toda a minha vida. Tinha na mão apenas meu celular. Meu casaco e a bolsa haviam ficado lá dentro.
No meio da rua, as pessoas gritavam: ‘É preciso chamar a polícia!’. Saí correndo em direção à Bastilha, ou ao menos era isso que eu pensava. Me sentia apavorada e queria ganhar distância do Bataclan o mais rápido possível. Ao mesmo tempo, não sentia nenhum alívio ao fazê-lo, pois os terroristas poderiam estar a postos em qualquer esquina. Eu não tinha a dimensão da tragédia que se desenrolava. Ninguém tinha. Tudo parecia possível naquele horror.
Segundos depois, um rapaz com o rosto coberto de sangue me parou e pediu ajuda para encontrar uma farmácia. A garota que o acompanhava gritava sem parar. Não sei se estava machucado ou apenas sujo com o sangue de outra pessoa. Acompanhei a dupla até um café ali ao lado e pedi ao garçom que chamasse uma ambulância. Nessa pausa, me senti culpada por ter saído sem meu amigo Manu. Por que eu havia deixado meu parceiro, que se locomovia com a ajuda de muletas, para trás?
"Me senti culpada por ter saído sem meu amigo Manu. Por que eu havia deixado meu parceiro, que se locomovia com a ajuda de muletas, para trás?"
Saí do café e voltei a correr na rua, ao lado de outros fãs. Dei de cara com o vocalista, Jesse Hughes. Nos olhamos por um momento e acredito que vimos a mesma expressão na face um do outro. Ele estava aterrorizado. Aquilo me chocou. Meia hora antes, cantava, dançava. As vozes naquela confusão apareciam de todos os lados, ora com desespero, pedindo ajuda, ora com vigor, conclamando os outros a tomar uma ação. Alguém gritou para que entrássemos todos num táxi que ali estava. O carro estilo SUV conseguiu abrigar várias vítimas, não lembro quantas. Quando já estava lá dentro, uma mulher chamou o vocalista, que entrou por último.
O motorista nos deixou na estação de metrô Chemin Vert, a 850 metros do Bataclan. Um rapaz que me acompanhava no táxi se ofereceu para pagar minha passagem, já que eu não tinha dinheiro algum. Mas, assustado, não conseguia inserir a cédula na máquina de venda automática. Um funcionário nos abrigou dentro de uma sala, ofereceu café, água, e nos deu tíquetes. “O show estava bom, não?”, eu disse ao rapaz. Rimos de nervoso. O atendente se apresentou, se chamava Medi, e perguntou se podia nos dar um abraço. Aquilo me fez muito bem.
De repente, estava sendo confortada nos braços de um desconhecido. Foi emocionante. Decidi ligar para Manu, mas seu telefone estava sem sinal. ‘Eu o deixei. Eu o deixei’, era só o que pensava. Tentei então ligar para Jeremy, meu melhor amigo, que não havia ido ao show. É para ele que corro em situações de sufoco, já que meus pais não moram em Paris. ‘Houve um tiroteio’, balbuciei. Não conseguia fazer frases longas. Ele perguntou onde eu estava e me sugeriu encontrá-lo em outra estação do metrô, onde me esperaria com seu carro.
"O atendente se apresentou, se chamava Medi, e perguntou se podia nos dar um abraço. Aquilo me fez muito bem."
Ele foi meu herói. Me colocou no banco do passageiro e dirigiu como um louco em direção à sua casa. Ia muito mais rápido do que a velocidade permitida, mas, para mim, o traslado levava uma eternidade. Jeremy tinha falado com Manu, que, para meu alívio, estava a salvo. Dentro do carro, me contou de tudo o que se sabia até então: aconteceram outros dois tiroteios em Paris, um no Canal Saint Martin e outro na Rua Charonne, além de uma explosão no Estádio da França, durante o jogo de futebol entre as seleções da França e da Alemanha. Aí entendi e tive a confirmação de que se tratava de um ataque de ódio. Mas ainda tinha dificuldade para digerir o que ocorria.
Os terroristas metralharam pessoas nas calçadas. Eram crianças, adultos, brancos, negros, árabes, católicos, muçulmanos. Tive a impressão de estar numa guerra. Na casa de Jeremy, sua colega de apartamento me acolheu de braços abertos. Às 23h, consegui finalmente falar com minha mãe, que estava na Auvérnia, onde nasci, e assistia a uma peça de teatro enquanto Paris ardia.
Passei a noite assistindo à TV e respondendo mensagens. Jeremy colocou todas as garrafas de vinho que havia na cozinha sobre a mesa. Perdi a conta de quantas taças bebi. As notícias sobre os outros eram tensas. Por volta de meia-noite, Manu confirmou que três amigos, de nosso grupo de seis, continuavam dentro do Bataclan. Senti como se um punhal tivesse atravessado meu coração. Me disse para não publicar nada no Facebook, pois dois deles se comunicavam com a polícia, escondidos, e havia o risco de os terroristas descobrirem. Eles estavam trancados dentro de uma sala. Uma geladeira e um sofá colocados em frente à porta barravam a entrada dos bandidos.
Por ele soube também que Marielle se escondera num banheiro. Ao sair, liberada pela polícia, precisou desviar do corpo sem vida de um dos terroristas no chão. Os oficiais pediam que não olhassem para a pista de dança, que estava coberta de sangue e cadáveres. Manu depois participaria de um programa de TV sobre os ataques e lá encontraria um segurança do Bataclan que lhe descreveria a cena: os terroristas entraram atirando. Primeiro, em direção ao vestiário e ao local onde eram vendidas camisetas da banda. Depois, sobre o bar e o público no fundo da sala. Um deles subiu no mezanino, o local onde eu estava. Ainda bem que decidi fugir no minuto anterior.
"Nessa noite, deitei para dormir na cama da minha mãe, como uma criança de 10 anos. Mas não preguei os olhos."
Passei a noite toda acordada. Ao amanhecer, fui para a janela. O sol estava nascendo e iluminou a cidade. Do apartamento de Jeremy no 18º andar, vi a paisagem mais linda do mundo. A Torre Eiffel de um lado, o Palácio dos Inválidos de outro. Foi um conforto.Paris continuava lá.
Às 9h, saímos rumo à casa de minha mãe, no sul da França. Nas três horas de viagem, ouvimos música, cantamos. Ele foi meu herói. Quando chegamos, a porta se abriu e vi minha mãe estender seus braços para mim. Eu estava muda e ela, muito emocionada. Me segurou por um longo tempo. Dei entrevistas e respondi perguntas o dia todo. À noite, encontrei antigos amigos num bar. Precisava sair. Mal bebemos. Mal comemos. Ninguém tinha apetite. Nos abraçamos, conversamos sobre o futuro, rimos. Nessa noite, deitei para dormir na cama da minha mãe, como uma criança de 10 anos. Mas não preguei os olhos.
No dia seguinte, fui visitar meu pai, que mora a 30 minutos dali. Ele me recebeu com os olhos cheios de lágrimas. Aí, sim, desabei. Foi a primeira vez que consegui chorar de verdade. Minha família toda estava lá. Um priminho me entregou flores. Passei o domingo com eles. As crianças fizeram muitas perguntas. Voltei para Paris na tarde de segunda-feira. Ao chegar à estação de trem, senti uma angústia. Peguei um táxi para chegar em casa mais rápido, mas também porque queria ver a cidade.
No fim de semana seguinte, eu deveria ir com Manu ao show da dupla de indie folk Brigitte, mas desistimos. Preciso de um tempo. Não consigo entender de onde vem araiva dos terroristas. Não os odeio, mas sei que nunca mais serei a mesma. Vi a morte de perto e tive muita sorte de sobreviver, de ter uma família e amigos que se preocupam comigo. Daqui para a frente, vou dizer mais vezes ‘eu te amo’. Quero encontrar as pessoas. Celebrar. A vida é muito curta.”